Banco Master, Texas e o “Dark Horse”
A apuração sobre as emendas públicas ocorre em paralelo a outra frente de investigação em torno do financiamento privado do filme.
O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viabilizar a obra cinematográfica, e mensagens apontam um compromisso inicial de R$ 134 milhões, com cerca de R$ 62 milhões efetivamente repassados até o momento.
Um dos pontos que ampliam o escrutínio é a ligação entre esse fluxo de recursos e uma trust ligada ao advogado Paulo Calixto, radicado nos EUA e representante do fundo que, segundo o The Intercept Brasil, recebeu dinheiro de Vorcaro para financiar Dark Horse.
Em 27 de fevereiro de 2026, uma trust associada a Calixto adquiriu uma casa em Arlington, no Texas, por US$ 726,3 mil (cerca de R$ 3,6 milhões), negócio assinado pelo ex‑secretário de fomento à cultura André Porciúncula, ex‑sócio de Eduardo Bolsonaro na cidade.


Estrutura empresarial e instituto conservador‑liberal
A interseção entre o cinema, o dinheiro privado e o universo de entidades ligadas ao bolsonarismo também aparece na estrutura de empresas abertas por Eduardo Bolsonaro e seus sócios nos EUA.
Em 2023, ainda em Arlington, o então deputado e o empresário Paulo Generoso registraram, entre outras, a Braz Holding, que administrava uma empresa sediada na Flórida voltada à exportação de alimentos frescos e congelados, encerrada cerca de um ano depois.
Das três empresas criadas naquele período, apenas o Instituto Conservador Liberal permanece ativo, agora sob a gestão de Paulo Calixto – o mesmo advogado encarregado do processo imigratório de Eduardo Bolsonaro e responsável pelo fundo que recebeu recursos de Vorcaro.
Essa tessitura de empresas, ONGs e trusts, muitas vezes ligadas a um mesmo grupo de pessoas, aumenta a complexidade da análise sobre a origem e o destino dos recursos públicos e privados que sustentam o universo em torno de Dark Horse.
Fontes: Folha de SP / Metrópoles / The Intercept

