O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil.
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Escândalo “Master” e o vínculo entre família Bolsonaro e banqueiro Vorcaro suscitam investigação sobre financiamento de filme.
O Intercept Brasil e a TV Globo divulgaram nesta semana documentos e áudios que ligam o financiador Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso em Brasília sob suspeita de chefiar um esquema de fraudes bilionárias, ao financiamento do filme Dark Horse, produzido sobre a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. As apurações apontam ainda que Eduardo Bolsonaro, deputado cassado e filho do ex-presidente, atuou como produtor-executivo do projeto, com atribuições explícitas de captação de recursos, segundo contrato obtido pelo Intercept.

O material publicado na quarta-feira (13) inclui trechos de um contrato assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024, no qual ele e o ex-ministro e também deputado Mário Frias aparecem como produtores-executivos.

O documento descreve responsabilidades que vão desde o envolvimento em estratégias de financiamento até a preparação de documentação para investidores, identificação de fontes de financiamento, incentivos fiscais, colocação de produtos e busca por patrocínios.

Ligação com Vorcaro e áudios de pressão
Reportagem do Intercept revelou que Vorcaro participou das negociações de financiamento e que, segundo o site, efetuou pagamentos que chegaram a R$ 61 milhões. Áudios publicados mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência — pedindo e pressionando Vorcaro por pagamentos ao projeto, segundo as reportagens.

A TV Globo confirmou as informações divulgadas pelo Intercept.

Investigação sobre destinação dos recursos
Autoridades federais e integrantes do meio político passaram a investigar se os recursos atribuídos à produção do filme foram de fato utilizados para esse fim ou se o projeto serviu como pretexto para transferência de valores a favor de integrantes da família Bolsonaro.

Uma linha de apuração citada pela jornalista Andreia Sadi questiona se parte do dinheiro teria financiado despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, país onde ele reside desde fevereiro do ano passado.
Resposta dos investigados
Em publicação nas redes sociais na quinta-feira (14), Eduardo Bolsonaro negou ter atuado como produtor do filme. Declarou ter investido US$ 50 mil no projeto e afirmado que recebeu o valor de volta, acrescentando que seu status migratório nos EUA o impediria de receber recursos de um fundo de investimento ligado a Vorcaro. Segundo Eduardo, a transferência citada pela imprensa não teria passado pelo fundo que recebeu aportes de Vorcaro.
A GoUp e o Instituto Conhecer Brasil
O contrato citado identifica a produtora GoUp Entertainment, empresa com sede na Flórida, Estados Unidos, e com sócios brasileiros (Karina Ferreira da Gama e Michael Brian Davis), como responsável pela produção. Karina é presidente do Instituto Conhecer Brasil, ONG mencionada nas apurações.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar, nesta sexta-feira (15), para investigar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a entidades vinculadas à GoUp, atendendo a pedidos dos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ).
O g1 informou que o STF também tenta intimar o deputado Mário Frias há mais de um mês para esclarecer “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinadas ao instituto.
Posicionamentos e defesas
O Instituto Conhecer Brasil, em nota, afirmou que segue os trâmites formais exigidos pelos órgãos competentes, incluindo apresentação de projetos, aprovação de planos de trabalho, execução contratual, prestação de contas e fiscalização.
A defesa de Vorcaro e dos demais investigados ainda não apresentou versão completa sobre a destinação final dos recursos citados nas reportagens.
Implicações e próximos passos
A confirmação, por meio de documentos e áudios, do envolvimento de membros da família Bolsonaro em negociações com Vorcaro amplia o escopo das investigações sobre o uso de recursos privados e possíveis vínculos entre grupos políticos e operadores financeiros investigados por fraudes. A apuração preliminar no STF e as investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master devem tentar esclarecer a origem, o fluxo e o destino dos recursos apontados nas reportagens, além de verificar responsabilidades penais e administrativas.
O caso tende a continuar em evidência no cenário político, em especial pela participação de figuras públicas com papel ativo em campanhas e no aparato estatal. Jornalistas e órgãos de fiscalização fiscalizam agora documentos bancários, contratos e comunicações entre as partes para corroborar versões e localizar eventuais ilícitos.
JORNALISMO O JANELÃO
FONTES G1 E INTERCEPT BRASIL

