Goiânia, GO – 31/03/2026 | Por Alexandre Bittencourt, especial para Mais Goiás
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), oficializado nesta segunda-feira (30) como candidato do PSD à Presidência da República, pode ficar sem o apoio do próprio partido em pelo menos cinco grandes colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Bahia.
A falta de palanques regionais robustos força a equipe de campanha a priorizar as redes sociais, com ênfase em temas como segurança pública – carro-chefe da gestão Caiado.
No Rio de Janeiro, o PSD é controlado pelo prefeito Eduardo Paes, que deixa a prefeitura para disputar o governo estadual com o respaldo do presidente Lula (PT), seu aliado de longa data. Paes, conhecido por vitórias apertadas em 2020 e 2024, prioriza uma coligação progressista e já sinalizou que não abrirá espaço para Caiado.
Em São Paulo, berço do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, a legenda integra a base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tarcísio, ex-ministro de Bolsonaro, confirmou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e descartou espaço para outros nomes no palanque paulista, que concentra 70 cadeiras na Câmara e é decisivo para qualquer aspiração presidencial.
A Bahia representa outro obstáculo: o PSD, liderado pelo senador Otto Alencar, alinha-se integralmente à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e a Lula. A bancada baiana, com forte influência no Nordeste, vê na aliança petista a melhor estratégia para manter poder local. Alternativas como ACM Neto (União Brasil), ex-prefeito de Salvador e próximo de Flávio Bolsonaro, só reforçam a fragmentação.
Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD), que assumiu após a renúncia de Romeu Zema para o Senado, segue a linha do antecessor e negocia com o PL para indicar um nome à vaga senatorial em troca de apoio a Flávio Bolsonaro. Minas, com sua tradição de balanço eleitoral, é vital para equilibrar o Centro-Sul.
No Ceará, o PSD atua como principal aliado do PT ao lado do PSB, sob comando do ex-vice-governador Domingos Filho. O deputado Luiz Gastão confirmou em entrevista recente a unidade com os petistas, priorizando a máquina estadual alinhada a Lula.
Estratégia digital como saída
Aliados de Caiado admitem as dificuldades regionais e defendem uma campanha “hiperconectada”. “Vamos massificar conteúdos sobre segurança, redução de criminalidade e gestão eficiente, marcas dos dois mandatos em Goiás”, diz um assessor próximo. Dados do TSE mostram que, em 2022, 40% dos eleitores se informaram majoritariamente por redes sociais, tendência ampliada em 2026 com IA e vídeos curtos.
Palanques confirmados limitam-se a Goiás, com o vice Daniel Vilela como sucessor, e Paraná, onde Ratinho Jr. (PSD) declarou apoio irrestrito:
“Caiado é homem aprovado como gestor”. O Rio Grande do Sul permanece incerto: a escolha de Caiado sobre Eduardo Leite (PSDB) como candidato pode gerar ressentimentos na gauchada.
Analistas políticos preveem um cenário pulverizado para 2026, com Lula buscando reeleição, Flávio Bolsonaro consolidando a direita e Caiado apostando no Centro para fisgar indecisos.
“Sem palanques nos grandes estados, redes sociais serão o termômetro”, avalia o cientista político gaúcho João Domingos.

