Uma comitiva da Prefeitura de Camboriú visitou nesta semana a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do bairro Ubatuba, em São Francisco do Sul, referência nacional em tecnologia de saneamento. À frente do grupo estava o prefeito Leonel Pavan, acompanhado do vice-prefeito Jozias da Silva, do secretário de Saneamento de Camboriú Alexandre Mestre, do vereador Irmão Maier.
No local, os anfitriões foo a diretora-geral da AEGEA regional, Reginalva Mureb e sua equipe técnica da Águas de São Francisco do Sul, com a engenheira química responsável pela coordenação da área, Camila Danielle, e o coordenador operacional Renan Santana.

Visita técnica e primeiras impressões
O objetivo da viagem foi conhecer in loco uma estação implantada para atender picos de população turística — São Francisco do Sul tem cerca de 30 mil moradores e pode chegar a 300–350 mil no verão — e que opera com tecnologia de padrão terciário, com remoção de carga orgânica superior a 90% (em alguns momentos próximo a 95%).

O prefeito Pavan saiu da visita “contente, para não dizer impressionado”:
“Se nós implantarmos em Camboriú o que estou vendo aqui, teremos cumprido a nossa missão”, disse ele, prevendo que a futura estação de Camboriú será “quatro vezes maior” em capacidade e tecnologia.

Hoje a ETE de São Francisco do Sul trata cerca de 90 litros por segundo; em Camboriú a previsão é tratar aproximadamente 400 litros por segundo.
Prazos, parcerias e terreno Pavan destacou a participação do Instituto Federal Catarinense (IFC) como parceiro determinante: o instituto cedeu uma área considerada “significativa” para a implantação da unidade. Segundo o prefeito, a assinatura da cessão do terreno ocorre em breve e a construção tem início ainda este ano, desde que obtidas as autorizações necessárias.
A previsão apresentada pela presidente Reginalva Mured e pelos técnicos é de que a ETE de Camboriú esteja em funcionamento em cerca de um ano a um ano e meio — “um ano e quatro meses, no máximo”.

Tecnologia, eficiência e exigência legal
A comitiva ouviu explicações técnicas sobre os níveis de remoção de poluentes. A legislação federal (Conama) admite, como parâmetro, remoção de cerca de 60% da carga orgânica; a regra estadual de Santa Catarina eleva esse padrão para 90%. A ETE visitada opera consistentemente acima de 90% e chega a 95% de remoção, com água altamente clarificada, e a equipe técnica promete perseguir eficiência semelhante em Camboriú:
“Mais de 90%; nós vamos perseguir 95%”, afirmou a presidente Reginalva, que é formada em química e especialista em saneamento.
Benefícios sociais, ambientais e econômicos
- Os representantes dos dois municípios e técnicos destacaram ganhos diretos com a obra:
- qualidade ambiental: reduzir o lançamento de esgoto in natura no rio Camboriú e recuperar a balneabilidade do curso d’água;
- saúde pública: menos doenças vinculadas à contaminação hídrica e redução de gastos com tratamentos de saúde relacionados à má qualidade da água;
- valorização imobiliária: onde passa rede de esgoto, a valorização média estimada é de cerca de 14%;
- estímulo a investimentos: loteamentos e empreendimentos que dependem de coleta e tratamento poderão avançar;
- geração de emprego e renda: obras e operação demandarão mão de obra local.

“Vai voltar a ter vida” Reginalva enfatizou o aspecto simbólico e prático da recuperação do rio Camboriú
Amor ao Rio Camboriú
“A população ama o rio. Com o fim do lançamento de esgoto in natura, o rio vai voltar a ter vida — espero com os robalos que dão nome ao rio.” Ao público, a presidente reafirmou que o projeto não é atividade meramente burocrática, mas uma ação técnica e comprometida: “Aqui nós temos técnicos e uma empresa responsável que vai cumprir.”
A voz do operacional e da prefeitura
Renan Santana, coordenador operacional da Águas de São Francisco do Sul, destacou o ganho de infraestrutura e os reflexos locais: valorização dos imóveis, melhoria ambiental e baunabilidade das praias — e citou orgulhosamente que São Francisco do Sul é o único município no Brasil com cinco Bandeiras Azuis, certificação internacional de qualidade de praias. Para Renan, a ETE é modelo para projetos maiores, como o de Camboriú.

O secretário Alexandre Mestger fez retrospectiva do processo: desde 2019 Camboriú aguardava avanços; agora, com a atual gestão, há “materialização” da promessa. Alexandre anunciou que, já em julho, as primeiras tubulações poderão ser instaladas no município.

Ele reforçou o impacto econômico do saneamento:
“A cada R$ 1 gasto em saneamento, se economiza R$ 5 na ponta da saúde”, ressaltou.

O vice-prefeito Jozias classificou a data como “o pontapé inicial” de um projeto que trará saúde, saneamento e atrairá investidores para Camboriú. O grupo prevê concluir as etapas de cessão do terreno e licenciamento ainda neste ano para dar sequência à construção.
Desafios e pontos a observar
Embora o tom do anúncio seja de otimismo, uma obra do porte anunciado envolverá desafios práticos:
- licenciamento ambiental e autorizações municipais/estaduais, cujos prazos podem variar;
- necessidade de cronograma detalhado para obras civis, compra de equipamentos e compatibilização técnica com redes já existentes;
- gestão da operação e manutenção para garantir os níveis de eficiência prometidos;
- planejamento da expansão da coleta de esgoto em toda a cidade, não apenas da estação, para alcançar a universalização do serviço.
Impacto local
Para Camboriú, cidade litorânea com forte apelo turístico e mercado imobiliário aquecido, a promessa de uma ETE de padrão considerado “o mais moderno do país” tem impacto prático e político. Na prática, além do tratamento do esgoto, o anúncio traz mensagens sobre qualidade de vida, saúde pública e planejamento urbano.
Politicamente, o projeto dá resposta a demandas antigas da população e marca a gestão atual com uma obra de infraestrutura de largo alcance.

Assinatura da cessão do terreno ao longo das próximas semanas, aliem disso o início das obras: ainda este ano, após assinatura e autorizações.
Quando serão instaladas as primeiras tubulações instaladas em Camboriú?
- Previsão já para julho.
Operação inicial da ETE de Camboriú: entre 12 e 16 meses; - após início das obras, conforme projeção da equipe técnica.

O que muda para o rio Camboriú e para a cidade?
Se as previsões se confirmarem, Camboriú terá, além da captação e tratamento de água, a infraestrutura necessária para universalizar a coleta e tratamento de esgotos — uma transformação que promete devolver qualidade ao rio Camboriú, ampliar o potencial turístico das margens e reduzir doenças de origem hídrica.
A economia local também tende a se beneficiar: empreendimentos imobiliários poderão avançar, a cidade se tornará mais atrativa para investidores e moradores terão ganhos palpáveis em bem-estar.
“Podemos comemorar, nos abraçar, a população vai nos abraçar, que Camboriú será referência. Já temos hoje o tratamento de água; aquilo que queremos e que cabe ao nosso governo e à AEGEA ser a nossa parceira — vamos ter um tratamento de esgoto dos melhores do Brasil”, afirmou Leonel Pavan, ao destacar a parceria com a AEGEA e o IFC e confirmar que a construção deve começar logo após a cessão do terreno.
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