Quando quem segura a escola precisa abandonar a própria função

Por Professor Evandro Accadrolli – Mestre e especialista em Educação

Imagine um hospital onde o farmacêutico precisa assumir o lugar do médico todos os dias porque faltam profissionais. Ou um bombeiro que deixa de combater incêndios para atender o telefone da central.

É exatamente isso que acontece, silenciosamente, em muitas escolas da rede estadual de Santa Catarina.

Assistentes técnico-pedagógicos, assistentes de educação e especialistas são profissionais concursados, essenciais para a gestão, o acompanhamento pedagógico e a organização da escola. Mas, com o adoecimento e a falta de professores, acabam sendo deslocados constantemente para substituir docentes. O que deveria ser uma medida excepcional virou rotina: o desvio de função foi normalizado.

Enquanto assumem novas responsabilidades, esses profissionais enfrentam jornadas extensas, não têm a possibilidade de fazer aulas complementares para melhorar a remuneração, não contam com recesso e, muitas vezes, trabalham também aos sábados e feriados.

O resultado é preocupante: trabalham mais, recebem menos e ainda deixam de exercer a função para a qual foram concursados.

Valorizar a educação é valorizar toda a equipe escolar. Santa Catarina precisa corrigir essa distorção, garantir condições justas de trabalho, carga horária igualitária e remuneração compatível com a formação e a responsabilidade de cada profissional. Porque uma escola forte só existe quando cada servidor pode exercer, com dignidade, a função para a qual foi concursado.

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