Na tarde de quinta-feira (16), Associação Hospitalar do Brasil divulgou a prestação de contas no plenarinho da Câmara de Vereadores, referente à primeira parcela do Termo de Colaboração nº 01/2026, que formalizou a gestão do Hospital Cirúrgico de Camboriú.
O relatório contempla dados operacionais, assistenciais e financeiros do período entre fevereiro e março de 2026, evidenciando os desafios iniciais da gestão emergencial e os resultados alcançados.
A AHBR assumiu integralmente a operação do HCC à zero hora de 27 de fevereiro de 2026, sem período de transição. A medida exigiu a manutenção imediata dos serviços, especialmente nas áreas de urgência e emergência.

O quadro funcional previsto é de 153 postos de trabalho, dos quais 110 colaboradores foram mantidos (71,9%), enquanto 43 não permaneceram (28,1%). A força de trabalho é majoritariamente feminina, com 108 mulheres (70,59%) e 45 homens (29,41%).
A estrutura organizacional está distribuída da seguinte forma:
Enfermagem: 74 profissionais (48,37%)
Apoio administrativo: 35 (22,88%)
Higienização: 19 (12,42%)
Farmácia: 7 (4,58%)
Centro cirúrgico: 6 (3,92%)
Manutenção: 4 (2,61%)
Condutores: 4 (2,61%)
Assistenciais especializados: 3 (1,96%)
Almoxarifado: 1 (0,65%)
Segundo o relatório, a organização do hospital está estruturada em três eixos: assistência (48%), apoio ao atendimento (23%) e suporte operacional, com foco na eficiência e qualidade do serviço.
O corpo médico conta com cinco profissionais fixos, sendo três clínicos (60%), um pediatra (20%) e um emergencista (20%). Além disso, o hospital dispõe de 18 funções e especialidades médicas que abrangem atendimentos ambulatoriais, cirúrgicos e gestão técnica.
Como estratégia de qualificação, foi instituído o Núcleo de Educação Continuada, em parceria com a UNIAVAN, promovendo capacitações e atualização técnica dos profissionais.
No período de 1º a 31 de março de 2026, o HCC realizou um total de 7.592 atendimentos, distribuídos em:*
6.776 atendimentos de urgência e emergência
643 consultas ambulatoriais
173 internações clínicas e cirúrgicas
Os atendimentos de urgência somaram
6.776 registros, sendo:
3.478 pacientes do sexo feminino
3.298 do sexo masculino
A maioria dos atendimentos foi de moradores de Camboriú (6.240), seguida por Balneário Camboriú (363) e outras cidades da região e de outros estados.
*Foram realizados 643 atendimentos ambulatoriais, com destaque para:*
Cirurgia geral: 249
Anestesiologia: 163
Ginecologia e obstetrícia: 83
Otorrinolaringologia: 64
A maior parte dos pacientes também são de Camboriú (511).
*O hospital registrou 173 internações cirúrgicas:*
93 pacientes do sexo feminino
80 do sexo masculino
Camboriú concentrou 113 internações, seguido por Porto Belo e Balneário Camboriú, ambos com 26 casos.
Execução orçamentária
O contrato prevê repasse mensal de R$ 2.980.042,27, com vigência de 27 de fevereiro a 26 de agosto de 2026. No período analisado:
Rendimento de aplicação financeira: R$ 967,71
Total disponível: R$ 2.981.009,98
Total executado: R$ 2.981.009,98
A distribuição dos custos foi:
Serviços terceirizados: R$ 1.966.917,90 (65,98%)
Recursos humanos: R$ 843.414,96 (28,29%)
Materiais assistenciais: R$ 124.926,94 (4,19%)
Materiais de consumo: R$ 45.750,18 (1,53%)
Indicadores de custo
O ticket médio por atendimento foi de R$ 392,52. Outros indicadores incluem: Custo por paciente no ambulatório: R$ 322,71
Custo por paciente no centro cirúrgico: R$ 2.032,31
Custo por paciente no pronto atendimento: R$ 89,24
Em relação aos exames:
Imagem: R$ 28,39 por exame
Laboratorial: R$ 16,42 por exame
Destaques da gestão
Entre os principais resultados operacionais, destacam-se:
Redução do custo da lavanderia de R$ 8,80/kg para R$ 5,15/kg
Absorção dos custos de coleta de resíduos pelo contrato
Implantação de contratos para controle de pragas
Regulamentação de processos de compras e contratos
Garantia de benefícios aos colaboradores, como uniformes e vale-alimentação
O relatório também aponta aumento de 11,45% no número de atendimentos em relação ao pactuado, mantendo o mesmo orçamento.
Transparência e controle
Para Christian Salgado, Diretor Presidente da Associação Hospitalar do Brasil, advogado especialista em terceiro setor, mestrando em direito da saúde, “A prestação de contas enfatiza medidas de transparência, estruturação de processos e controle de estoques como pilares da gestão, alinhados às exigências do Termo de Colaboração” afirmou.
Estiveram presentes na reunião de prestação de contas, equipe técnica do HCC, secretários municipais, vereadores, servidores, comunidade e imprensa.
O conjunto de dados evidencia que, mesmo diante de uma transição sem planejamento prévio, a gestão conseguiu assegurar a continuidade dos serviços, ampliar a produção assistencial e manter o equilíbrio financeiro no período inicial de operação.
_Texto e Fotos: Molina Orval_

