A China suspendeu nesta terça-feira (20) as importações de carne de aves de Santa Catarina após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste do estado. A medida atinge 14 estabelecimentos catarinenses habilitados a exportar para o mercado chinês, enquanto os demais estados brasileiros seguem autorizados a vender normalmente ao país asiático.
O impacto é relevante para o setor: Santa Catarina responde por mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China é o principal comprador do frango brasileiro.

Restrições comerciais
As decisões dos três países têm alcances diferentes:
- A China suspendeu as importações de carne de aves produzidas em Santa Catarina, mas manteve liberadas as compras dos demais estados brasileiros. A medida atinge 14 estabelecimentos catarinenses habilitados a exportar para o país asiático.
- O Chile também restringiu a entrada de produtos avícolas de Santa Catarina. A restrição inclui carne fresca, ovos para consumo, ovos férteis, pintinhos e aves ornamentais.
- Já o México adotou a medida mais ampla: suspendeu as importações de aves vivas, carne, miúdos, ovos e pintinhos vindos de todo o Brasil.
Ainda não há previsão para a retomada das exportações catarinenses à China. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que acompanha as tratativas com os mercados afetados.
Foco em Nova Itaberaba
O caso foi confirmado em uma criação comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, com cerca de 6 mil animais. A propriedade permanece interditada e o governo estadual intensificou as ações de vigilância e controle sanitário na região.
O governo federal decretou estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios: Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A área de restrição abrange um perímetro de segurança de 10 quilômetros, onde mais de 130 granjas estão sendo monitoradas.
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) começou a visitar propriedades próximas à granja afetada. A previsão é inspecionar cerca de 1.600 propriedades; em aproximadamente 130 delas, poderão ser coletadas amostras de sangue das aves, conforme os critérios de vigilância sanitária.
Doença não oferece risco ao consumo
A doença de Newcastle é uma infecção viral aguda e altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Causada pelo paramixovírus aviário sorotipo 1, pode provocar problemas respiratórios, nervosos e digestivos nos animais e, em casos graves, alta mortalidade nos lotes.
Entre os sinais mais comuns estão ofegação, tosse, espirros, dificuldade respiratória, torcicolo, tremores, paralisia, diarreia, queda na postura de ovos e morte súbita.
As autoridades sanitárias reforçam que não há transmissão da doença pelo consumo de carne de frango. Carnes e ovos de estabelecimentos inspecionados pelo serviço veterinário oficial continuam seguros para a população.
Próximos passos
O foco agora é conter a disseminação do vírus e demonstrar às autoridades internacionais que as medidas de contenção estão sendo cumpridas. A expectativa do setor é que as restrições sejam revistas conforme a evolução da investigação e o controle sanitário na região do Oeste catarinense

