Enquanto 71% da população brasileira clama pelo fim da exaustiva jornada 6×1, a bancada catarinense, em sua maioria, coloca o pé no freio e busca estratégias para postergar o benefício.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou contornos de disputa política intensa em Brasília. Enquanto mais de 30 milhões de trabalhadores brasileiros aguardam ansiosamente por uma redução na jornada que promete devolver qualidade de vida e tempo para as famílias, 171 deputados federais se movimentam para adiar essa conquista. Em Santa Catarina, o cenário é de forte resistência: 14 dos 16 parlamentares do estado assinaram emendas que buscam empurrar a medida para daqui a 10 anos.
O que propõem os parlamentares?
As emendas apoiadas pelos deputados catarinenses não pedem apenas o adiamento. Os textos sugerem a manutenção da jornada de 44 horas semanais para serviços essenciais e, o que é mais polêmico, a prevalência total dos acordos negociados entre sindicatos e empresas sobre a própria legislação trabalhista.
Os deputados de SC que assinaram as emendas para adiar a medida são:
* Carol De Toni (PL)
* Jorge Goetten (PL)
* Geovania de Sá (Republicanos)
* Julia Zanatta (PL)
* Ismael (PSD)
* Daniel Freitas (PL)
* Cobalchini (MDB)
* Gilson Marques (NOVO)
* Daniela Reinehr (PL)
* Carlos Chiodini (MDB)
* Ricardo Guidi (PSD)
* Zé Trovão (PL)
* Rafael Pezenti (MDB)
* Fábio Schiochet (União Brasil)
O choque de realidade: Mercado vs. Trabalhador
O movimento desses parlamentares vai na contramão do sentimento das ruas. Pesquisas apontam que 71% da população apoia o fim da escala 6×1. Além disso, pequenos empresários têm afirmado que a mudança não trará o colapso econômico que os grandes setores do “mercado” tentam pintar para criar medo.
É curioso notar que, enquanto grandes empresários e parte da classe política tentam barrar o avanço, a realidade dos trabalhadores é de exaustão. E, em um cenário que não passa despercebido pelos olhos atentos da população, há quem aponte uma contradição ética: muitos dos parlamentares que hoje se posicionam contra a redução da jornada são, ironicamente, os mesmos que apresentam os índices de produtividade e presença mais baixos no Congresso.
Quem está ao lado do trabalhador?
Em meio à pressão das bancadas, apenas dois parlamentares catarinenses pelo jeito mantiveram firmes na defesa da redução imediata da jornada, posicionando-se contra a tentativa de adiamento: Ana Paula Lima (PT) e Professor Pedro Uczai (PT).

Para o trabalhador catarinense, resta a pergunta: até quando o lucro de poucos valerá mais do que o descanso e a dignidade de milhões? O debate continua, e a pressão popular será, sem dúvida, o termômetro para as próximas votações.

