
A jornalista, escritora e apresentadora Ana Paula Araújo realizou, na noite de sexta-feira (23), a palestra “Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil”, no Teatro Municipal Bruno Nitz, durante o 2º Festival Literário de Balneário Camboriú. O encontro reuniu público, autoridades e representantes de políticas públicas para discutir um problema que, segundo os dados apresentados, segue avançando em Santa Catarina.

Reconhecida nacionalmente pelo trabalho no jornalismo, Ana Paula usou a experiência de reportagem e a pesquisa realizada para o livro que dá nome à palestra para falar sobre os ciclos da violência, o silenciamento das vítimas e a necessidade de uma resposta rápida e articulada da sociedade e do poder público.

Números que preocupam
Durante o debate, foram destacados dados alarmantes sobre a violência contra mulheres em Santa Catarina. Até 21 de outubro, o Estado já registrava 43 feminicídios em 2026. Também foi citada a estimativa de que oito em cada dez mulheres sofrem algum tipo de violência no Estado.
Para a diretora de Políticas Públicas para Mulheres da Secretaria de Assistência Social de Balneário Camboriú, Anna Nienkoter, os números mostram que a violência doméstica continua sendo uma “pandemia da brutalidade” que ainda silencia vidas. Ela defendeu a união entre políticas públicas, segurança, Justiça, assistência social e comunidade para transformar essa realidade.
“São até o dia de hoje, 21 de outubro, 43 feminicídios no nosso Estado. Oito em cada dez mulheres sofrem algum tipo de violência. É muito importante a união de forças e políticas públicas efetivas para que essa realidade mude”, afirmou Anna durante a entrevista realizada no evento.
Rede de proteção em Balneário Camboriú.
A diretora também apresentou a estrutura de atendimento e prevenção existente no município. Entre os serviços citados estão o Grupo de Proteção à Mulher, da Secretaria de Segurança Pública; a Rede Catarina, em parceria com a Polícia Militar; a Delegacia da Mulher; o Programa Abraço à Mulher; a Procuradoria da Mulher; a Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres; os CRAS; o Conselho Municipal da Mulher, além do Ministério Público e do Judiciário.
Anna destacou ainda o papel da Guarda Municipal, que pode ser acionada pelo telefone 153 em situações de emergência, e da Casa da Família, vinculada à Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, que oferece acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade e violência.

“Balneário Camboriú está fazendo a sua parte e cada vez mais. Temos uma rede ampla de proteção, mas é fundamental que as mulheres saibam que não estão sozinhas”, reforçou.
Literatura como instrumento de conscientização

A palestra também reforçou o papel do livro e do jornalismo na discussão sobre violência de gênero. Ana Paula Araújo é autora de Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil, obra que reúne dados, relatos e análises sobre o avanço desse tipo de crime no país. A jornalista também é autora de um livro sobre a cultura do estupro no Brasil.

O tema dialogou com o objetivo do 2º Festival Literário de Balneário Camboriú, que tem como lema “Palavras que Inspiram”. Promovido pela Prefeitura, por meio da Fundação Cultural, o evento busca fortalecer a cultura do livro, incentivar a leitura e valorizar a produção literária local e regional.
Festival segue até este sábado
Iniciado na quinta-feira (22), o festival segue até este sábado (24), com programação gratuita concentrada no Teatro Municipal Bruno Nitz e na área externa do espaço cultural. A agenda inclui lançamentos de livros, sessões de autógrafos, palestras, venda de livros, contação de histórias, oficinas literárias, atividades para crianças e adolescentes, shows musicais e apresentações de teatro e dança.
Os horários das atividades podem ser conferidos no site da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, em culturabc.com.br.
Onde buscar ajuda
Emergência: 190
Guarda Municipal de Balneário Camboriú: 153
Central de Atendimento à Mulher: 180
Casa da Família e Programa Abraço à Mulher: por meio da Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família
A mensagem central deixada pelo encontro foi direta: denunciar, acolher e não naturalizar a violência é um passo essencial para proteger vidas.

