Aero Park Camboriú: investimento de mais de R$ 1 bilhão promete transformar município em polo multimodal e tecnológico

Camboriú (SC) — Uma comitiva de empresários formalizou nesta semana a apresentação do projeto Aero Park Camboriú ao prefeito Lenel Pavan, em evento que marca o início de uma série de etapas para viabilizar um investimento previsto em mais de R$ 1 bilhão no município. O empreendimento prevê a ampliação da pista, a construção de até 300 hangares e a criação de um complexo multissetorial que inclui parque tecnológico e proposta de implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

“O que a gente está trazendo aqui? Uma área de negócios”, afirmou o prefeito Lenel Pavan durante o anúncio. Segundo ele, o projeto nasceu em 2024, ganhou corpo em 2025 e agora encontra investidores dispostos a transformar o aeroporto local em algo maior que uma infraestrutura aeroportuária: “A nova Camboriú não está mais só na língua, na falácia. Está dentro da minha Secretaria de Planejamento, dentro dos projetos que estamos preparando para a cidade e nas concretizações.”

Investimento e estrutura

De acordo com os idealizadores, o empreendimento já tem cerca de R$ 200 milhões aplicados em aquisição de áreas e negócios iniciais, e a projeção de gastos com pista, hangares e infraestrutura do complexo supera a marca de R$ 1 bilhão.

O projeto prevê entre 240 e 300 hangares destinados ao setor executivo. Os espaços poderão ser adquiridos por empresas — um hangar também pode ser compartilhado por mais de uma organização — e servirão como um polo para companhias aéreas executivas, manutenção e serviços relacionados.

Além dos hangares, o Aeroparque inclui a criação de um parque tecnológico com foco em software, data centers e desenvolvimento tecnológico. Conforme os promotores, essa parte do projeto deve atrair empresas de tecnologia e instituições educacionais interessadas em se instalar com benefícios fiscais, especialmente se a proposta de ZPE avançar.

Zona de Processamento de Exportação (ZPE)

O grupo responsável pelo projeto aposta na criação de uma ZPE no entorno do aeroparque. A ZPE é uma área de regime especial de comércio exterior com isenção de tributos federais para empresas cujo perfil é voltado à exportação. Diferente da Zona Franca de Manaus, que historicamente combina atividades industriais, comerciais e agropecuárias voltadas também ao abastecimento do mercado interno, a ZPE tem perfil estritamente exportador. Se aprovada, a medida pode conceder isenção de ICMS em operações de exportação, mantendo ao município receitas como ISS e demais tributos locais.

“O município continua recebendo ISS e impostos, mas o governo federal dá isenção de ICMS”, explicou um dos investidores. O projeto já teve estudos contratados por consultoria especializada e, conforme os empresários, os resultados foram favoráveis à implantação da ZPE na região — uma iniciativa que os idealizadores classificam como potencialmente inédita para o Sul do Brasil.

Empresários e apoio local
Valmir Tartari, da VexCapital, um dos principais representantes do grupo investidor, entregou o documento ao prefeito e destacou a receptividade do município:

“A cidade nos recebeu de braços abertos, tanto a prefeitura como os vereadores. Para o empresário investir, a gente olha o que está acontecendo na cidade e qual é a projeção.” Tartari relatou que o projeto foi ampliado à medida que a demanda por espaços e serviços cresceu, levando à decisão de dobrar inicialmente o número de hangares previstos.

O projetista Adão, responsável pela parte técnica, demonstrou otimismo quanto ao movimento econômico que será gerado. Ainda que seja difícil precisar a quantidade de empregos e o volume exato de tributos a serem gerados, os idealizadores falam em “desenvolvimento expressivo” para toda a região, com potencial para atrair investimentos de empresas de tecnologia, logística, manutenção aeronáutica e educação.
Próximos passos e trâmites municipais.

A secretária Marcela informou que o projeto agora passa por análise da prefeitura, com reuniões previstas para avaliar a necessidade de alterações legislativas e condições administrativas para viabilizar o empreendimento.

“Gostamos de desafios. Não é um projeto fácil, mas estamos totalmente à disposição para que esse projeto saia do papel”, disse.

No Legislativo, a proposta já foi apresentada à Câmara dos Vereadores, e há expectativa de que a tramitação avance com prioridade, dado o apoio do Executivo e o interesse dos investidores.

O prefeito afirmou que há pressa para encaminhar as medidas necessárias.
Impactos e expectativa.

Prefeito, empresários e aliados políticos classificaram o Aeroparque como um marco de desenvolvimento para Camboriú e para o estado. Entre os efeitos esperados estão a criação de novos postos de trabalho, atração de empresas tecnológicas e aumento na arrecadação municipal via ISS e serviços correlatos. Para parte da equipe de governo, o projeto também amplia o perfil da cidade além do turismo de praia, posicionando Camboriú como polo de negócios e tecnologia no Litoral Norte catarinense.

Críticas e desafios

Especialistas e parte da sociedade podem levantar questões sobre o impacto ambiental, a compatibilização do uso do solo e a necessidade de infraestrutura complementar — acesso rodoviário, saneamento e habitação — para receber esse tipo de empreendimento. A aprovação de uma ZPE também costuma gerar debates sobre incentivos fiscais e sua real capacidade de gerar desenvolvimento sustentável e empregos locais. A Prefeitura e os investidores deverão responder a essas demandas ao longo das próximas fases de análise.

O Aero Park Camboriú surge como uma ambiciosa proposta que combina aviação executiva, tecnologia e incentivos de comércio exterior, com um potencial investimento superior a R$ 1 bilhão. O projeto ainda depende de aprovações municipais, ajustes legislativos e estudos complementares, mas já mobiliza empresários, Prefeitura e Câmara na expectativa de transformar o quadro econômico e urbano de Camboriú.

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