Fonte: Rodrigo Coutinho G1
Houston — A seleção brasileira garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026 ao vencer o Japão por 2 a 1, de virada, na tarde desta segunda-feira em Houston. Gabriel Martinelli, que entrou no segundo tempo, foi decisivo ao marcar o gol da vitória nos acréscimos e selar a classificação.
O jogo teve fases distintas: um primeiro tempo em que o Brasil sofreu com desorganização e recuo após sofrer o gol japonês, e um segundo tempo em que a equipe se reequilibrou e impôs ritmo, criando volume ofensivo até conseguir a virada. A atuação coletiva teve altos e baixos, mas trouxe sinais positivos, como o poder de decisão de Martinelli e a boa partida de Bruno Guimarães, Douglas Santos e Vinícius Júnior.
O técnico Carlo Ancelotti optou por repetir a mesma escalação que venceu a Escócia, enquanto Hajime Moriyasu promoveu mudanças no Japão, com Taniguchi na zaga e Sano no meio-campo. Takefusa Kubo, recuperado de lesão, começou no banco.

Primeiro tempo: domínio inicial e descuido que custou caro
O Brasil começou controlando a posse e pressionando o Japão, que se postou de forma compacta, em um 5-4-1, e apostou em transições rápidas. A seleção brasileira circulou bem a bola nos primeiros minutos, com Douglas Santos e Rayan abertos e Vinícius Júnior buscando o espaço entre os defensores adversários. Mesmo assim, o time não conseguiu transformar a posse em finalizações claras.
Com o passar do tempo, o ritmo brasileiro diminuiu e o Japão aproveitou para encaixar algumas transições. Em uma delas, Danilo perdeu a referência no passe e permitiu a reação de Sano, que avançou e bateu no canto de Alisson para abrir o placar. A expulsão de equilíbrio deixou o time nervoso: Casemiro recebeu cartão amarelo por falta em Junya Ito e a Seleção passou a errar mais passes e a perder coesão.

Intervalo e reação: mudanças que mudaram o jogo
No intervalo, Lucas Paquetá saiu lesionado e Endrick entrou como centroavante, com Matheus Cunha recuando ao meio-campo. A alteração deu mais mobilidade ao ataque e o Brasil voltou muito mais agressivo, ocupando a área japonesa e acelerando a circulação de bola
Foram três chegadas perigosas nos primeiros dez minutos do segundo tempo. Em uma delas, Zion Suzuki fez grande defesa em cabeçada de Bruno Guimarães; na sequência, Tomiyasu salvou em cima da linha um gol certo de Casemiro. O volante, porém, não desistiu e marcou o empate aproveitando um cruzamento preciso de Gabriel Magalhães, redimindo-se dos erros da etapa inicial.
Virada no fim e herói no banco
Vinícius Jr. quase virou com um lance de efeito, driblando dois adversários e finalizando para uma defesa espetacular de Suzuki, com a bola ainda tocando a trave. Ancelotti trocou Matheus Cunha por Gabriel Martinelli aos 20 minutos do segundo tempo — substituição que se mostrou decisiva.
Com o jogo aberto, o Brasil passou a dominar novamente e sufocar o Japão, que tentou recompor-se com substituições defensivas. Casemiro sentiu desgaste e deu lugar a Fabinho nos acréscimos. No último suspiro, Rayan recuperou a posse na entrada da área e tocou para Bruno Guimarães, que serviu Martinelli. O atacante pegou de chapa — a bola bateu na trave esquerda e morreu no fundo da rede — e o estádio explodiu com a virada por 2 a 1.

O que fica do jogo
A vitória confirma qualidades individuais e coletivas: a capacidade de recuperação do elenco, a influencia de peças como Martinelli e Bruno Guimarães, e boas atuações de Douglas Santos e Vinícius Júnior. Ao mesmo tempo, o desempenho reforça questionamentos sobre a consistência defensiva e a facilidade com que a equipe se desorganiza após sofrer gol.
O Brasil agora se prepara para as oitavas de final, onde encontrará um adversário decidido pela fase de grupos e pelo cruzamento do chaveamento. A Seleção terá que ajustar a estabilidade defensiva se quiser avançar mais longe em um torneio que exige regularidade contra rivais de alto nível.
Desempenhos individuais (destaques)
Gabriel Martinelli: entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória; decisivo.
Bruno Guimarães: participou ativamente da construção e marcou o primeiro gol.
Vinícius Júnior: muito presente no jogo ofensivo, criou lances de perigo e quase marcou.
Casemiro: decisivo no segundo tempo, mas com atuação abaixo do esperado na etapa inicial.
Douglas Santos e Rayan: contribuições importantes pelas laterais.

