De Temer a Lula: o ajuste fiscal que mudou de rumos e impulsiona economia brasileira

Florianópolis, SC – Uma análise dos últimos anos revela como políticas fiscais moldaram o poder de compra dos brasileiros. Iniciada no governo Michel Temer (2016-2018) e estendida por Jair Bolsonaro (2019-2022), uma estratégia de ajuste fiscal priorizou contenção de gastos sem reajustes no salário mínimo acima da inflação nem correções na tabela do Imposto de Renda (IR). Isso resultou em perda real de renda para os mais pobres: o poder aquisitivo caiu ao longo de sete anos, freando o crescimento econômico – a média anual ficou em torno de 1% no período.

A consequência foi clara: com famílias gastando menos, o consumo interno encolheu, limitando o PIB. Dados do IBGE mostram que o salário mínimo real perdeu cerca de 10% de valor entre 2016 e 2022, enquanto a tabela do IR, congelada, empurrou milhões para faixas tributadas.

Em 2022, ano eleitoral, o cenário mudou. Pesquisas ruins pressionaram o governo Bolsonaro a “abrir os cofres”: veio reajuste extra no Bolsa Família (não previsto no orçamento), corte no ICMS sobre combustíveis (arcado pelos estados) e postergação de precatórios, totalizando um rombo estimado em R$ 120 bilhões. Essas medidas estouraram o teto de gastos e transferiram a conta para 2023, primeiro ano de Lula.

O governo Lula enfrentou o desafio

Pagou os precatórios atrasados e compensou estados, quitando o “calote” em cerca de R$ 120 bilhões no ano inicial. Mudou o foco do ajuste fiscal: salário mínimo com ganho real anual (de R$ 1.320 em 2023 para R$ 1.412 em 2024), tabela do IR corrigida com isenção até R$ 5 mil mensais – hoje, mais de 70% da população (cerca de 36 milhões de contribuintes a menos) não paga IR, beneficiando assalariados, autônomos e informais.

Os resultados falam por si. Indicadores de 2023-2025 batem recordes: inflação média de 3,5% (a menor em quatro anos, pelo IPCA); desemprego em 6,8% (menor da série histórica, PNAD); crescimento do PIB dobrado para 3% ao ano; salário real médio histórico (R$ 3.200, ajustado pela inflação); e massa salarial recorde de R$ 320 bilhões mensais (Caged).

Especialistas atribuem o boom ao consumo popular retomado. No entanto, o debate persiste nas redes sociais, epicentro da desinformação. Fatos como esses contrastam com narrativas polarizadas, onde 60% dos brasileiros buscam notícias online (Datafolha, 2025). Economistas como Laura Carvalho (USP) destacam:

“O ajuste inclusivo reacendeu o motor do Brasil: o bolso do povo”.

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