Brasília, 6 de março de 2026 – A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, um marco positivo após o déficit de US$ 500 milhões no mesmo mês de 2025. Os números, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (5), refletem uma recuperação robusta das exportações, que cresceram 15,6% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 26,3 bilhões – contra US$ 22,8 bilhões em fevereiro de 2025.
As importações, por sua vez, recuaram 4,8%, para US$ 22,1 bilhões, ante US$ 23,2 bilhões no período comparativo. Essa dinâmica impulsionou a corrente de comércio (soma de exportações e importações) para US$ 48,4 bilhões, alta de 5,3% em relação aos US$ 46 bilhões de 2025. Analistas do MDIC atribuem o desempenho à valorização de commodities como minério de ferro e soja, além de uma gestão mais eficiente de estoques industriais.
Tensões com EUA e avanços em outros mercadosApesar do otimismo geral, as exportações para os Estados Unidos caíram 20,3%, impactadas pelo “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump. Negociações bilaterais garantiram isenções para produtos como aço e alumínio, mas setores como embarcações e manufaturados ainda sofrem com barreiras tarifárias de até 25%.
Dados complementares do Comex Stat (plataforma do MDIC) indicam que o volume embarcado para os EUA foi o menor desde 2023, pressionando a América do Norte como destino (-9,8%, US$ 3,7 bilhões).
Em contrapartida, a União Europeia absorveu 34,7% mais produtos brasileiros, totalizando US$ 5,5 bilhões (+33,6% na Europa como um todo). A China destacou-se com alta de 38,7% nas compras, impulsionada por petróleo e carne. Outros movimentos incluem recuo de 26,5% para a Argentina (América do Sul: -10,4%, US$ 2,8 bilhões) e crescimento de 24,1% para o Canadá.
A Ásia manteve estabilidade em US$ 10,7 bilhões (variação 0%). Setores em alta: agro e mineração lideram.
Os destaques setoriais reforçam a força das commodities. A agropecuária exportou US$ 5,1 bilhões (+6,1%), com soja e carnes em evidência. A indústria extrativa explodiu com US$ 6,6 bilhões (+55,5%), graças ao minério de ferro e petróleo, beneficiados por preços internacionais elevados. Já a indústria de transformação somou US$ 14,4 bilhões (+6,3%), com aviões e automóveis ganhando tração na Europa e Ásia.
No acumulado do ano até fevereiro, o superávit brasileiro já chega a US$ 8,5 bilhões, segundo atualização do MDIC nesta sexta (6). Economistas como os do Banco Central preveem manutenção do ritmo positivo, mas alertam para riscos geopolíticos, como a guerra comercial EUA-China e variações climáticas no agro.
Para o setor produtivo, especialmente no Sul do país – com polos como o de Balneário Camboriú e região em manufaturados e agro –, o resultado sinaliza oportunidades em diversificação de mercados. O MDIC planeja rodadas de negociações com a UE e China para sustentar o crescimento.

