Verão amargo em SC: bares e restaurantes sofrem com queda de 58% no fluxo de turistas

Balneário Camboriú – 5 de março de 2026 – O verão em Santa Catarina, sazonalmente a “safra de ouro” para bares e restaurantes, terminou com resultados desanimadores para o setor.

Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Santa Catarina (Abrasel SC), realizada entre janeiro e fevereiro, revela que 58% dos estabelecimentos tiveram menos turistas em comparação à temporada passada.

A expectativa de lotação máxima evaporou, deixando um gosto amargo para os empresários catarinenses.

O principal vilão foi a drástica redução de turistas argentinos, que historicamente impulsionam o movimento no Litoral catarinense.

A grave crise econômica na Argentina, com inflação galopante e desvalorização do peso, desencorajou viagens ao Brasil.

Dados do Ministério do Turismo indicam queda de mais de 40% na chegada de argentinos em 2025/2026 em relação ao verão anterior, afetando diretamente praias como Balneário Camboriú e Florianópolis.

“Os argentinos, que representam até 30% do fluxo em picos de temporada, simplesmente não vieram”, relata Juliana Débastiani, presidente da Abrasel SC.

A situação pode se prolongar. A recente reforma trabalhista argentina, aprovada em 2025, impõe jornadas mais longas e férias fracionadas – limitadas a 14 dias consecutivos –, reduzindo o período ideal para viagens internacionais.

Especialistas preveem menor público argentino nos próximos anos, pressionando ainda mais o turismo catarinense.

A concorrência interna também pesa. Estados como Rio de Janeiro, Bahia e Nordeste investiram pesado em divulgação e pacotes promocionais, com preços mais atrativos – hospedagem 20-30% mais barata que em SC, segundo o site Booking.com.

Em Santa Catarina, os custos elevados desanimam: atrações turísticas como bondinhos, parques aquáticos e acessos a praias cobram valores salgados (R$ 100-200 por pessoa em dias de pico), enquanto o custo de vida no estado subiu 12% no último ano, pelo IBGE.

“O turista brasileiro optou por destinos mais acessíveis”, analisa Débastiani.

Do levantamento da Abrasel, 36% dos entrevistados viram queda de até 15% no movimento, e 22% registraram retração superior. Apenas 18% celebraram aumento. O desafio vai além da baixa clientela: transformar visitantes em lucro foi quase impossível. Custos altos com insumos, escassez de mão de obra qualificada (afetando 57% dos bares) e impossibilidade de repassar a inflação aos cardápios comprimiram as margens.

Resultado? Só 33% fecharam com lucro; 51% empataram no zero a zero, e 16% acumularam prejuízo.Em contraponto positivo, 49% notaram mais visitantes de outros países latino-americanos, como uruguaios e paraguaios. No entanto, problemas crônicos como falta de infraestrutura e trânsito caótico nas rodovias agravaram o cenário.

Para Débastiani, o setor precisa de ações urgentes: “Investir em qualificação de equipes, parcerias para baratear atrações e campanhas nacionais para reposicionar SC como destino acessível”.

Enquanto isso, o outono chega com incertezas para quem depende do turismo.

Redação baseada em dados da Abrasel SC. Reportagem O Janelão

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