O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitiu um alerta direto aos Estados Unidos nesta quarta-feira (25), em meio ao reforço militar americano no Oriente Médio.
Em postagem nas redes sociais, ele afirmou monitorar “de perto todos os movimentos dos EUA” e advertiu:
“Não testem nossa determinação em defender nossa terra”. Ghalibaf, apontado pela imprensa internacional como figura chave em possíveis negociações com Washington, acrescentou que forças americanas poderiam “ser vítimas” das ações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O pronunciamento ocorre enquanto os EUA enviam cerca de 3 mil fuzileiros navais e novos navios de guerra à região, intensificando a presença militar mesmo com sinais de diálogo para encerrar o conflito com o Irã.
Negociações negadas pelo Irã, mas confirmadas por Trump
Teerã nega qualquer conversa formal com os EUA. O embaixador iraniano no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, reforçou que “não houve negociações diretas ou indiretas”, apesar de países amigos consultarem ambos os lados para frear a “agressão ilegítima”. A Rússia, via porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, também não confirma o plano de 15 pontos atribuído a Donald Trump.
Contrariando a versão oficial iraniana, Trump declarou que a Casa Branca negocia “com as pessoas certas” em Teerã.
“Eles vão fazer um acordo. Ontem nos deram um presente incrível, relacionado a gás e óleo, que vale uma fortuna”, disse o presidente, sem detalhes.
Ele alegou ainda que os iranianos se comprometeram a “nunca desenvolver armas nucleares”.
Segundo o The New York Times, o plano americano prevê cessar-fogo de 30 dias em troca do fim do enriquecimento de urânio iraniano, corte de financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah, e transformação do Estreito de Ormuz – por onde passa 20% do petróleo mundial – em zona de navegação livre, sem controle de Teerã. O Financial Times relata que o Irã já sinalizou à Organização Marítima Internacional permitir tráfego de “embarcações não hostis” no estreito, após iniciativa de 22 países da Otan e aliados.
Escalada militar e impactos econômicos
O Irã insiste em participar de conversas só após ataques aéreos de EUA e Israel cessarem.
Na terça (24), houve nova troca de fogo entre Irã e Israel: o ministro da Defesa israelense anunciou “zona de segurança” no sul do Líbano, após destruição de pontes usadas pelo Hezbollah.
Economicamente, a tensão impulsiona o petróleo acima de US$ 100 por barril nesta quarta, após queda de 10% na segunda.
Pesquisa Reuters indica Trump com aprovação em 36%, com 61% reprovando os ataques ao Irã.


