Itapema, SC – 10 de janeiro de 2026 – A Praia de Itapema, um dos cartões-postais do Litoral Norte catarinense, vive seu pior momento para banhistas.
O relatório de balneabilidade divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) nesta sexta-feira (9) classificou todos os quatro pontos de monitoramento da Meia Praia como totalmente impróprios para banho.
A situação representa uma piora drástica: na análise anterior, os pontos em frente às ruas 261 e 319 ainda estavam próprios, condição mantida por mais de um mês.
No Centro do município, o cenário é ligeiramente menos grave, com apenas um ponto impróprio, em frente à Rua 113. Mas o destaque negativo é a Meia Praia, onde a contaminação por Escherichia coli (E. coli) – bactéria indicadora de esgoto fecal – explodiu.
Pela primeira vez desde 22 de junho de 2022, a coleta em frente à Servidão Hipólito Machado ultrapassou o limite crítico de 24.196 unidades de E. coli por 100 mililitros de água, segundo dados do IMA.
Dados técnicos revelam o drama
De acordo com as normas da Resolução Conama 274/2000, a água é considerada própria para banho quando 80% ou mais das amostras das últimas cinco semanas apresentam, no máximo, 800 unidades de E. coli por 100 ml. Em Itapema, nenhum dos pontos da Meia Praia atende a esse critério.
A presença elevada de E. coli sinaliza contaminação por fezes humanas ou animais, frequentemente ligada a esgoto clandestino, pluvial mal gerido e falta de saneamento básico.
Autoridades de saúde, como a Dive-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), alertam para os riscos: banhos em águas impróprias aumentam em até 10 vezes as chances de infecções gastrointestinais, viroses (como norovírus e rotavírus), hepatite A e doenças de pele.
Em 2025, Santa Catarina registrou mais de 15 mil casos de diarreia aguda associados a balneabilidade ruim, com custo estimado ao SUS em R$ 50 milhões só no Litoral – dados do Ministério da Saúde.
Em Itapema, o descaso pode elevar gastos públicos em saúde, enquanto o turismo, que movimenta R$ 2 bilhões anuais na região, despenca.
Falta de planejamento sob gestão de Xepa (PL) agrava o caos

Especialistas apontam falta de investimento em saneamento e gestão urbana como vilãs principais. Sob o prefeito Xepa (PL), Itapema não avançou no plano de esgotamento sanitário, aprovado em 2022 mas com execução abaixo de 30%, segundo relatórios da Casan.
“É um cenário caótico: sem tratamento de esgoto, a contaminação se alastra, atraindo viroses e afastando turistas”, critica o oceanógrafo, Dr. Roberto Presta.
A cidade, que recebe 1 milhão de visitantes por verão, perde competitividade para praias vizinhas como Bombinhas e Balneário Camboriú, com balneabilidade própria em 70% dos pontos. As secretarias de Saúde e Turismo de SC recomendam: evitem a Meia Praia e procurem pontos próprios na região, como em Porto Belo ou região central de Itapema.
A população cobra ação urgente: “Não dá para conviver com praia ‘sem banho’ em pleno verão”, desabafa moradora local.O IMA atualiza os dados semanalmente. Pressão por melhorias cresce, mas sem planejamento, o banho em Itapema segue proibido.
Jornalismo O Janelão

