O ex‑senador Roberto Requião usou suas redes para denunciar que a privatização da Copel Telecom, empresa paranaense de infraestrutura de telecomunicações, teria sido “modelada” pelo Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e consumada por um grupo ligado ao empresário Nelson Tanure, hoje alvo de investigações e com bens bloqueados. Requião questiona em que pé está a cobertura da imprensa paranaense e nacional sobre esse escândalo, e também interpela o papel do governador Ratinho Júnior nesse contexto.
O que Requião está denunciando
Requião afirma que a Copel Telecom foi vendida por cerca de R$ 2,3 bilhões a um fundo controlado por Nelson Tanure, com forte participação do Banco Master no financiamento da operação.
Segundo ele, essa estrutura financeira teria sido “modelada” pelo Banco Master, que hoje está no centro de um grande esquema de irregularidades investigado pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.
Tanure aparece como um dos principais alvos da operação, teve o celular apreendido e bens bloqueados em um processo que envolve mais de R$ 5,7 bilhões.
O peso do caso Banco Master no Paraná
O Banco Master se consolidou como operador financeiro influente no Paraná entre 2022 e 2023, inclusive atuando diretamente na privatização da Copel Telecom.
Em 2025, a Polícia Federal intensificou as investigações, com a prisão de Daniel Vorcaro na primeira fase da operação e novas medidas contra Tanure e outros empresários em 2026.
O caso saiu dos limites de um escândalo bancário e passou a ser visto como um teste de integridade das instituições e do modelo de privatizações conduzido no Estado.
O que Requião questiona sobre a imprensa
Em seu desabafo, Requião diz que a imprensa do Paraná não lhe dá “uma notícia”, mas reforça que os paranaenses precisam tomar conhecimento de que a venda da Copel Telecom foi feita para um grupo ligado ao Banco Master e a Tanure, hoje sob investigação.
Ele critica o silêncio de grandes emissoras de televisão, incluindo a Globo, e pergunta por que não há notas, reportagens ou editoriais mais contundentes sobre o tema no Estado.
Qual a ligação entre Ratinho Júnior e o grupo Tanure?
Requião levanta a questão direta: qual é a ligação entre o governador Ratinho Júnior e o grupo de Tanure?
Há análise de jornalistas e pesquisadores que apontam proximidade indireta via investimentos ligados ao Banco Master, incluindo o resort Morro dos Anjos, em que o apresentador Ratinho é citado como sócio e o investimento teria passado por fundos associados ao Banco Master.
Essa associação alimenta a pergunta de Requião: Ratinho é sócio, simpatizante, ou apenas “iludido e enganado” por um grupo que hoje está no centro de um dos maiores escândalos financeiros do País?
O que isso significa para o Paraná?
Ao colocar o caso na agenda pública, Requião quer colocar sob escrutínio a privatização de uma empresa estratégica como a Copel Telecom, vendida em um leilão em que o comprador hoje é alvo de investigação federal.
A reação do parlamento paranaense já começa a se refletir em debates sobre as consequências das privatizações, com deputados de oposição alertando que a Copel pode ficar “sangrando” para acionistas, com menos investimento em serviços de qualidade.
Para o ex‑senador, o Paraná não pode continuar em silêncio: a população precisa saber quem está por trás da compra da Copel e por que a imprensa, em muitos casos, parece morna diante do escândalo.

