Washington, 26 de março de 2026 – Uma nova pesquisa do Centro de Estudos AP-NORC indica que a maioria dos americanos considera as ações militares dos Estados Unidos contra o Irã “exageradas”.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, reflete um crescente descontentamento com o conflito, que entrou na quarta semana e pode se tornar um calcanhar de Aquiles para o governo do presidente Donald Trump.
De acordo com o estudo, 59% dos entrevistados avaliam que as operações bélicas, conduzidas em parceria com Israel, foram “longe demais”. Apenas 28% aprovam a intensidade das ações, enquanto 13% se mostram indecisos.
A pesquisa ouviu 1.200 adultos entre 20 e 25 de março, com margem de erro de 3,6 pontos percentuais.
O conflito, iniciado após escaladas de tensões no Oriente Médio – incluindo ataques a instalações iranianas e respostas com mísseis – tem aprovação estável para Trump em torno de 45%, segundo dados paralelos do Gallup.
No entanto, analistas alertam que o desgaste pode erodir o apoio republicano, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em 2026.
Preocupação com gasolina dispara em meio à guerra
Um dos pontos mais sensíveis é o impacto econômico. A pesquisa AP-NORC aponta um salto na ansiedade com os preços dos combustíveis: 45% dos americanos agora dizem estar “muito” ou “extremamente” preocupados em pagar pela gasolina nos próximos meses, contra 30% logo após a reeleição de Trump em novembro de 2024.
O preço médio da gasolina nos EUA subiu 22% desde o início do conflito, atingindo US$ 4,15 por galão (cerca de R$ 5,80 por litro, em conversão aproximada), impulsionado por sanções ao petróleo iraniano e interrupções no Estreito de Ormuz.
Regiões como a Costa Oeste e o Sul do país registram os maiores aumentos, com impactos diretos em famílias de baixa renda.
Trump, por sua vez, anunciou na quarta-feira o reforço militar na região, com o envio de dois porta-aviões e 5 mil tropas adicionais.
“Estamos protegendo nossos interesses e aliados. A América não recua”, declarou o presidente em pronunciamento.
Críticos democratas, como a líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, acusam o governo de priorizar a guerra em detrimento da economia doméstica.
Especialistas em relações internacionais, como o professor Michael O’Hanlon do Brookings Institution, preveem que o conflito pode se prolongar, com risco de envolvimento de proxies iranianos como o Hezbollah.
“A opinião pública americana é volátil em guerras assimétricas; o preço da bomba na bomba (gasolina) pode definir o futuro político”, analisou.
A pesquisa AP-NORC reforça uma tendência: 62% dos entrevistados querem uma solução diplomática rápida, priorizando negociações via ONU.
Enquanto isso, o mundo observa o caos provocado pelos EUA que calibrarão sua estratégia ou dobrarão a aposta.

