Irã propõe “petro-yuan” no Estreito de Ormuz: fim do petrodólar à vista?

Teerã, 16 de março de 2026 – Em meio a tensões crescentes com os Estados Unidos, o Irã sinaliza uma jogada ousada no Estreito de Ormuz, a artéria vital por onde passa 20% do petróleo mundial.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, anunciou neste domingo (15) que o país está aberto a negociações para liberar a passagem segura de petroleiros e navios de gás – desde que o petróleo seja comercializado em yuan chinês, e não em dólares.

A proposta visa fortalecer laços com a China, maior compradora do petróleo iraniano, e contornar sanções americanas.

“Estamos abertos a países que queiram conversar conosco sobre a passagem segura de seus navios”, declarou Araghchi em entrevista ao programa “Face the Nation”, da CBS News.

Ele evitou citar nações específicas, mas revelou contatos de “diversos países” interessados. A decisão final cabe às Forças Armadas iranianas, que já autorizaram a travessia de dois petroleiros indianos – a Índia é um dos maiores importadores globais de GLP (gás liquefeito de petróleo), usado para cozinhar e abastecer veículos.

O Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, é um ponto estratégico: fechado ou restrito, pode disparar preços globais de energia. O Irã alerta que o acesso fica “aberto, menos para os EUA e inimigos”, priorizando aliados como a China, que usa sistemas paralelos para movimentar bilhões em comércio de petróleo e gás, burlando sanções dolarizadas.Impacto no petrodólar e além
A manobra iraniana representa um desafio direto ao domínio do dólar, lastreado historicamente no “petrodólar” – sistema em que o petróleo árabe é precificado em dólares.

Países como Arábia Saudita enfrentam uma tentação: adotar o “petro-yuan” para acessar rotas seguras, acelerando a desdolarização global.

Analistas veem nisso o “golpe final” no imperialismo americano, iniciado com políticas agressivas de Trump e agora em escalada.

Já há precedentes

o Irã garante segurança a navios chineses e aliados, enquanto pressiona por trocas em yuan. Se mais nações aderirem, o colapso do dólar pode ser inevitável, redefinindo o comércio energético mundial.

O que vem a seguir?

Araghchi sugere que negociações estão em curso, mas as Forças Armadas decidirão. O mundo observa, com o Brasil – grande exportador de petróleo – de olho nas oscilações de preço.

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