5 casos confirmados, incluindo profissionais de saúde.
Calcutá, Índia – Autoridades de saúde indianas ativaram um alerta nacional nesta semana após a confirmação de cinco casos do raro e letal vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, no leste do país.
Dois dos infectados são profissionais de saúde – uma médica e uma enfermeira –, o que elevou o nível de preocupação e levou ao isolamento de quase 100 pessoas em quarentena. Hospitais na capital estadual, Calcutá, operam em regime de alerta máximo, com testes rápidos e protocolos rigorosos de contenção.
O surto atual, detectado em meados de janeiro de 2026, reacende temores globais sobre o Nipah, um vírus zoonótico classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de “prioridade absoluta” para pesquisa e desenvolvimento de vacinas. Sem vacina ou tratamento específico disponível, a doença depende apenas de cuidados de suporte, e sua taxa de mortalidade varia de 40% a 75%, superando a de muitos patógenos recentes como o Ebola ou o Covid-19 em surtos iniciais.
O que é o vírus Nipah e por que ele assusta tanto?
Descoberto em 1998 na Malásia, durante um surto que matou mais de 100 pessoas e dizimou plantações de suínos, o Nipah é transmitido principalmente por morcegos frugívoros (como a raposa-voadora), que são seus reservatórios naturais. A contaminação humana ocorre por contato com fluidos infectados de morcegos, porcos ou, em raros casos, de pessoa para pessoa em ambientes hospitalares superlotados.
Seu perfil agressivo o torna “assustador”: o período de incubação varia de 4 a 21 dias, e os sintomas iniciais mimetizam uma gripe comum – febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e fadiga extrema. Rapidamente, evolui para problemas respiratórios graves (como pneumonia) e, no pior cenário, encefalite aguda: inflamação cerebral que provoca confusão mental, convulsões, coma e morte.
“É um vírus silencioso no início, mas devastador no pico”, alerta o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.
Histórico de surtos e resposta atual na Índia
A Índia registra surtos esporádicos desde 2001, principalmente em Kerala (sul) e agora Bengala Ocidental. Em 2018, Kerala teve 17 mortes em 19 casos confirmados. Desta vez, o Ministério da Saúde indiano coordena com a OMS: rastreamento de contatos, uso de EPIs avançados e suspensão de visitas em hospitais afetados.
“Estamos trabalhando contra o tempo para evitar uma propagação urbana”, disse um porta-voz do governo de Bengala Ocidental.Globalmente, a OMS monitora de perto, pois o Nipah tem potencial pandêmico – já infectou humanos em Bangladesh anualmente desde 2001, com mais de 300 casos e 70% de letalidade.
Risco para o Brasil e o mundo?
Especialistas consultados pela BBC News Brasil, como o virologista brasileiro Pedro Vasconcelos (Instituto Evandro Chagas), minimizam o risco imediato de chegada ao Brasil.
“A transmissão é limitada a contatos próximos com reservatórios ou casos graves, e não há voos diretos massivos de Calcutá para cá. A probabilidade de disseminação rápida é baixa”, afirma.
No entanto, recomendam vigilância: o Brasil tem morcegos semelhantes na Amazônia, e importações de frutas asiáticas poderiam ser um vetor teórico.
A Anvisa e o Ministério da Saúde brasileiro já foram notificados via rede global de alertas da OMS.
“Fique em alerta, mas sem pânico: higiene, evitar frutas caídas e monitorar sintomas gripais em viajantes da Ásia são medidas chave”, orienta Vasconcelos.
Enquanto vacinas experimentais avançam em testes (como a da CEPI, com fase 2 prevista para 2026), o mundo observa a Índia. Este surto reforça a necessidade de investimentos em zoonoses – lição dura da pandemia de Covid-19.
Fonte: BBC NEWS E CLARIN

