A guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, impulsiona os preços do diesel e fertilizantes, afetando diretamente o agronegócio brasileiro.
Produtores rurais no Paraná suspendem investimentos em máquinas e expansão de lavouras devido à alta de custos e incerteza sobre o conflito.
Contexto do Conflito
Os EUA, sob Donald Trump, ameaçam atacar instalações iranianas, mas suspenderam ações por mais 10 dias para negociações, enquanto o Irã controla rigidamente o Estreito de Ormuz, bloqueando navios ligados aos EUA e Israel.
Esse estreito transporta 20% do petróleo mundial, elevando preços globais e impactando o Brasil, importador de diesel (apesar de exportador de petróleo cru) e ureia.
Economistas preveem pelo menos 90 dias para normalizar fluxos comerciais pós-cessar-fogo.
Impactos nos custos
O diesel subiu mais de R$ 2 por litro em regiões como Prudentópolis (PR), de R$ 5,49 para R$ 7,99, elevando custos diários de colheitadeiras para R$ 3 mil (300-400 litros/dia).
Fertilizantes nitrogenados, como ureia importada do Irã e Omã (18% do consumo brasileiro), avançaram 33% desde o início do conflito.
Taxas de juros altas (13% a.a.) agravam: juros de R$ 266 mil no primeiro ano para um trator de R$ 2 milhões.
Suspensão de Investimentos
Edmilson Rickli, produtor e presidente do Sindicato Rural de Prudentópolis, cancelou compra de trator de R$ 2 milhões e arrendamento de 250 hectares.

Outros, como Augustinho Andreatto (R$ 1 milhão em pecuária leiteira) e Ezequiel Bobato, paralisaram projetos.[query] Marcelo Alberton, em Manoel Ribas, pula plantio de trigo (custo R$ 2.200/ha, adubo de R$ 2.500 para R$ 4 mil/ton).[query] Abimaq nota queda inicial em vendas de máquinas agrícolas em 2026.
Problemas nas exportações
China, compradora de 80% da soja brasileira (87 mi ton em 2025), rejeita cargas com pragas como amendoim-bravo; 2,5 mil caminhões devolvidos em Paranaguá (PR) na quinzena de março.
Dez carretas de Prudentópolis retornaram, exigindo limpeza e reclassificação, com frete mais caro pelo diesel.[query] Regras flexibilizadas em 20/3, mas inspeções rigorosas persistem no campo e portos.
Economia Local e perspectivas
Em Prudentópolis (“Ucrânia brasileira”, PIB R$ 1,9 bi, agro 40,7% direto), soja (150 mil ton/safra), feijão, tabaco e suínos sofrem com falta de diesel na colheita.[query] Ágide Meneguette (Faep/PR) alerta para fechamento de mercados e alta de fretes; CNA vê risco em milho para Irã (9 mi ton/2025).
Sem salto inflacionário em grãos pela boa safra verão, mas plantio safrinha (trigo) reduz; Brasil se beneficia de biocombustíveis.

