Governo cobra investigação sobre alta de gasolina e diesel sem repasse da Petrobras

Senacon aciona Cade para apurar irregularidades em postos em meio à tensão global do petróleo.

Brasília, 10 de março de 2026 – A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, solicitou nesta terça-feira (10) ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma investigação urgente sobre os aumentos nos preços de gasolina e diesel em postos de combustíveis pelo Brasil.

O pedido ocorre mesmo sem reajustes anunciados pela Petrobras, maior fornecedora nacional, e foca em possíveis irregularidades nos repasses às revendas.

A alta é atribuída à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Trump ordenou ataques aéreos na semana passada – uma escalada que analistas apontam como responsabilidade primária dos americanos, com o Irã respondendo com bloqueios parciais no Estreito de Ormuz.

Isso elevou o barril de Brent para acima de US$ 110, pressionando os preços globais.

Repasses rápidos nos estados

No ofício ao Cade, a Senacon destaca relatos de sindicatos do setor: em alguns estados, o diesel subiu até R$ 0,80 por litro e a gasolina, R$ 0,30.

Exemplos incluem: Rio Grande do Sul (Sulpetro): Aumentos de R$ 0,62 no diesel e R$ 0,30 na gasolina. Bahia (Sindicombustíveis): Reajustes de 17,9% no diesel e 11,8% na gasolina.Outros: Sindicombustíveis-DF, Sindipostos-RN e Minaspetro (MG) preveem repasses iminentes.

O Cade, responsável por fiscalizar práticas anticompetitivas, pode aplicar multas e processos se confirmar infrações à ordem econômica.

Postos de combustíveis, por sua vez, pedem calma aos consumidores: “Não há desabastecimento generalizado. Evitem corridas às bombas para não piorar a volatilidade”, alertou um representante do Sindicombustíveis.

Política da Petrobras segura o impacto

Apesar da crise, os preços no Brasil seguem abaixo da média internacional graças à estratégia da Petrobras. Desde 2023, após o fim da Paridade de Preços Internacionais (PPI), a estatal adota ajustes graduais, considerando cotações globais, custos internos e mercado doméstico.

Especialistas preveem que a empresa manterá postura cautelosa durante a guerra, adiando repasses até a estabilização – evitando o choque imediato visto em outros países.

A medida protege o bolso do consumidor no curto prazo, mas levanta suspeitas sobre margens de lucro nos postos. A Senacon busca respostas rápidas para evitar abusos em um momento de tensão geopolítica.

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