EUA recua: Irã confirma acordo cessar-fogo com os Estados Unidos e indica reabertura do Estreito de Ormuz

Em um desfecho surpreendente, o Irã confirmou nesta terça-feira (7) um acordo com os Estados Unidos para suspender ações hostis e reabrir o Estreito de Ormuz — artéria marítima estratégica por onde passa cerca de 20-30% do petróleo mundial, segundo a Agência Internacional de Energia (EIA).

O anúncio marca um aparente recuo dos EUA, que não derrubaram o regime dos aiatolás apesar das ameaças iniciais.

O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a medida como um “cessar-fogo de dois lados” e revelou que a decisão veio após conversas com autoridades do Paquistão.

Mais cedo, Trump havia dado um ultimato até as 21h (horário de Brasília) para que o Irã reabrísse a rota, adiando-o por duas semanas sob a condição de negociações.

Ele prometeu destruir pontes e usinas de energia iranianas e alertou que uma “civilização inteira” poderia perecer com os ataques previstos para esta terça — promessas que, para muitos analistas, não se concretizaram.

Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, creditou o acordo à mediação paquistanesa.

“Teerã suspenderá ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos”, declarou. Ele garantiu passagem segura pelo Estreito de Ormuz durante a trégua de duas semanas, “mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e devida consideração às limitações técnicas”.

Araghchi acrescentou que os EUA pediram negociações baseadas em uma proposta de 15 pontos, mas aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas começam na sexta-feira (10), no Paquistão.

A TV estatal iraniana celebrou o anúncio como um “recuo humilhante de Trump” e uma vitória sobre os Estados Unidos, afirmando que Washington aceitou os termos de Teerã para encerrar a guerra.

De fato, os objetivos declarados pelos EUA — como a derrubada do regime — não foram alcançados. Trump, por sua vez, alegou que “todos os objetivos militares foram cumpridos” e que “quase todos os pontos de divergência já foram acordados”, com as duas semanas servindo para finalizar um “acordo definitivo de paz”.

Alerta da Guarda Revolucionária

À tarde (horário de Brasília), a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta para populações de países vizinhos e de Israel: evitem se aproximar de certas localizações sob risco de “colocar sua vida em perigo”. A tensão persiste, mesmo com o acordo.

Para críticos, o episódio expõe uma humilhação mundial para Trump: gastos bilionários, perdas de vidas inocentes e nenhum avanço estratégico concreto contra Teerã.

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