CPMI do INSS revela movimentação de R$ 19,5 milhões de ‘Lulinha’, filho de Lula; defesa nega irregularidades

Brasília, 5 de março de 2026 – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O documento aponta 1.531 transações entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, totalizando R$ 19,5 milhões em movimentações financeiras – incluindo entradas, saídas e transferências internas.

Os valores por ano foram: R$ 4,66 milhões em 2022; R$ 4,01 milhões em 2023; R$ 7,27 milhões em 2024; R$ 3,37 milhões em 2025; e R$ 205,4 mil em 2026. No total, entraram R$ 9,77 milhões e saíram R$ 9,75 milhões nas contas analisadas.

Principais entradas de recursos

A maior parte veio de resgates de fundos de investimento (R$ 4,4 milhões) e transferências de contas próprias de Lulinha (R$ 735,7 mil).

Três repasses do presidente Lula somaram R$ 721 mil:

  • 22/07/2022: R$ 384 mil
  • 27/12/2023: R$ 92.463,90
  • 27/12/2023: R$ 244.845,80

No mesmo dia dos repasses de dezembro de 2023, Lulinha depositou um cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, diretor do Instituto Lula.

Empresas ligadas a Lulinha e sua esposa, Renata de Abreu Moreira, enviaram R$ 3,2 milhões, incluindo R$ 2,375 milhões da LLF Tech Participações e R$ 827,4 mil da G4 Entretenimento.

O restante (R$ 1,2 milhão) inclui consórcios, seguros e transações não identificadas.Saídas e transferências

Foram R$ 4,6 milhões em transferências para contas próprias de Lulinha.

Ex-sócios receberam valores expressivos: Jonas Leite Suassuna Filho ganhou R$ 704 mil em 17 transações (2022-2025); Kalil Bittar, R$ 750 mil em 15 repasses (2024-2025). Há ainda oito depósitos em cartão pré-pago (R$ 11,6 mil) e pagamentos de boletos.Defesa de Lulinha rebateA defesa negou qualquer vínculo com fraudes no INSS e afirmou que “todas as fontes de renda são legais e legítimas, incluindo heranças e movimentações patrimoniais”.

O Planalto não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Esse não é o primeiro escrutínio sobre finanças de filhos de presidentes.

Em 2019, o Ministério Público do Rio investigou a fábrica de chocolates Posto 8 Chocolates, comprada pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) em janeiro de 2015, no shopping Barra Point, na Zona Oeste do Rio.

Extratos bancários revelaram 1.512 depósitos em dinheiro entre março de 2015 e dezembro de 2018, muitos fracionados e sucessivos com valores repetidos – indício de “rachadinha“.

Nos dois primeiros meses como dono, Flávio retirou R$ 180 mil de lucro, enquanto seu sócio não sacou nada.

O caso ganhou repercussão nacional e faz parte de investigações sobre movimentações atípicas ligadas ao parlamentar, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.Contexto da CPMI.

A comissão apura fraudes em benefícios previdenciários e irregularidades no INSS. Lulinha entrou no radar após mensagens apreendidas pela PF entre Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”) e Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, supostamente ligada a vendas de cannabis medicinal. Roberta nega irregularidades. Nesta quarta, o ministro Flávio Dino (STF) suspendeu a quebra de sigilo dela.

A investigação da CPMI segue, com foco em movimentações financeiras relevantes.

Nota da defesa de Lulinha na íntegra: [insira aqui se disponível; baseado no fornecido, enfatiza legalidade das fontes]

Nota da defesa de Lulinha

“Após votação questionável sobre quebra de sigilo sem fundamentação individualizada (predicado de qualquer medida investigativa invasiva) e concessão de medida liminar reconhecendo a ilegalidade da quebra, a imprensa informou que teria acessado documentos sigilosos, no mesmo dia em que recebidos pela CPMI do INSS.

Se ocorreu, o vazamento configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes

Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis. Quanto às informações divulgadas, é impossível avaliarmos sua existência, veracidade ou detalhamento, uma vez que Fábio Luís e sua defesa não têm acesso nem aos documentos recebidos pela CPMI, nem aos que a imprensa alega ter recebido.
No entanto, é gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo.

Ao publicizar os dados sigilosos, a imprensa cita apenas fontes de renda legais e legítimas: a LLF Tech Participações e a G4 entretenimento e tecnologia, empresas legítimas com atuação legal e declarada; e rendimentos de aplicações do próprio Fábio Luís Lula da Silva.

Também estão sendo expostas movimentações específicas, dando destaque a transferências ligadas ao presidente Lula, que são adiantamento de legítima herança aos filhos do presidente, devolução de custos arcados por Fábio Luís da época emergencial em que Lula esteve ilegalmente preso, ou de empréstimo à L.I.L.S. Palestras, da qual Fábio Luís possui cotas recebidas por herança.

Também foram destacados: pagamentos à Jonas Leite Suassuna Filho (pagamentos de aluguel referente à casa em São Paulo onde Fábio Luís residia) e à Kalil Bittar (pagamento por cotas dele da empresa G4, após seu afastamento da sociedade).
Todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultados de atuação legítima, ou mesmo de recebimento da herança de sua mãe, Dona Marisa, falecida em um contexto de perseguição política e midiática muito semelhante com o atual.
Essas informações parciais demonstram novamente uma total ausência de envolvimento de Fábio Luís com as fraudes do INSS, o que força o questionamento sobre a legitimidade da devassa e linchamento públicos, abastecidos por ato criminoso de vazamento de documentos.

Quanto à forma como a informação foi publicizada, com a citação da soma de movimentações, é essencial esclarecer que o dado é irrelevante, pois a “soma de movimentações” em Relatórios de Informação Financeira não é retrato de valores líquidos possuídos ou recebidos pelas contas relatadas.
Um mesmo valor pode ser registrado seis ou mais vezes no relatório como “movimento” (recebimento, envio de conta corrente para conta investimento, aplicação, retorno para conta, retirada etc.), de forma que a “soma de movimentações” excede multiplamente valores efetivamente existentes, especialmente ao longo de anos.

Por esse motivo, Relatórios de Inteligência Financeira são analisados com atenção às transações específicas, não às somas de movimentações.

Finalmente, apontamos que o vazamento das informações sigilosas que não apontaram nenhum vínculo com as fraudes do INSS são a abominável concretização dos temores legítimos de que “investigações” podem ser meros disfarces para manobras de interesse político, ao atropelo dos limites legais e constitucionais que deveriam ser impostos no devido processo legal.”

Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis. Quanto às informações divulgadas, é impossível avaliarmos sua existência, veracidade ou detalhamento, uma vez que Fábio Luís e sua defesa não têm acesso nem aos documentos recebidos pela CPMI, nem aos que a imprensa alega ter recebido.

No entanto, é gritante a ausência de menção a qualquer elemento ligado às fraudes do INSS, o alegado objeto investigativo da quebra de sigilo.

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