A sessão da Câmara de Vereadores de Camboriú realizada na última segunda-feira (23) foi marcada por tensão e forte presença de servidores municipais. Por maioria, os vereadores rejeitaram dois projetos encaminhados pela Prefeitura que tratavam de reajuste salarial e da ampliação do vale-alimentação, em meio a cobranças por valorização profissional e às explicações do Executivo sobre os limites financeiros do município.
O primeiro texto, o Projeto de Lei Complementar 019/2026, previa revisão geral anual de 5,40% sobre os vencimentos básicos de servidores efetivos, comissionados e agentes políticos, além de reajuste no mesmo percentual para inativos e pensionistas. O projeto também tratava da atualização de 4,44% no abono pecuniário, com base no IPCA acumulado entre março de 2025 e janeiro de 2026.
Também foi derrubado o projeto que alterava a Lei nº 3.737/2025 para instituir auxílio-alimentação mensal de R$ 449 aos servidores ativos da administração direta e indireta do Executivo, proporcional à jornada de trabalho. Segundo a categoria e o sindicato, os índices apresentados foram considerados insuficientes diante das demandas do funcionalismo.

Em entrevista ao Portal O Janelão, o secretário de Administração de Camboriú, Roberto Pereira, afirmou que a proposta foi construída a partir de estudos internos, com participação da contabilidade, da procuradoria e de uma comissão criada em fevereiro para avaliar o impacto financeiro. Ele disse que a gestão buscou “o que era possível dentro da realidade financeira” do município.
Pereira explicou que a folha anual do ano passado somou R$ 229 milhões e que o número de servidores cresceu de 1.300 em dezembro de 2024 para cerca de 1.900 atualmente, com projeção de chegar a 2.000. Segundo ele, o reajuste de 1% acima do IPCA representaria impacto de cerca de R$ 14 milhões ao ano, enquanto a ampliação do vale-alimentação teria custo superior a R$ 10 milhões anuais.
O secretário também destacou que o prefeito Leonel Pavan vem tentando ampliar a arrecadação por meio da atração de novas empresas e investimentos, já que a receita municipal seria limitada diante do crescimento populacional. Ele afirmou ainda que a gestão reconhece a defasagem salarial, mas busca evitar comprometer o orçamento e repetir problemas fiscais enfrentados em administrações anteriores.
Do outro lado, servidores lotaram a plenária e cobraram valorização, enquanto o sindicato reforçou que a negociação precisa continuar. A Prefeitura ainda não informou quais serão os próximos passos após a rejeição dos projetos, mas novas reuniões com o sindicato e análises técnicas devem orientar o desdobramento da pauta nos próximos dias.
Jornalismo O Janelão

