Presidente do Paraguai é destituído e preso após colapso de banco

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido na noite desta sexta-feira (6) em Assunção, poucas horas depois de o Senado aprovar por unanimidade seu impeachment. A ordem de prisão domiciliar foi emitida pelo Ministério Público, que investiga suspeitas ligadas ao colapso do Ueno Bank, maior banco digital do país.

Impeachment e prisão

O Senado paraguaio aprovou o afastamento de Peña após uma grave crise financeira e política provocada pelo fechamento do Ueno Bank. Com a decisão, o então presidente perdeu o mandato imediatamente, e o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência.

Minutos depois, promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos determinaram a prisão de Peña. Agentes da Polícia Nacional foram à residência do ex-mandatário, que passará a cumprir prisão domiciliar até ser apresentado às autoridades responsáveis pela investigação.

O caso Ueno Bank

A investigação aponta suspeitas de lesão de confiança, tentativa de estelionato, enriquecimento ilícito e outros possíveis crimes financeiros associados ao colapso do banco. O Ueno Bank teve suas operações interrompidas pelo Banco Central, deixando milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos.

A oposição também acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Segundo reportagens, o ex-presidente havia declarado possuir um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no Ueno Bank.

Outras detenções

Além de Peña, o Ministério Público ordenou a detenção de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Enquanto o ex-presidente permanecerá em casa, Carvallo deverá ser levado a uma unidade definida pelo Comando da Polícia Nacional.

Crise política

A sequência — impeachment unânime, perda do mandato e prisão em poucas horas — representa uma virada abrupta no cenário político paraguaio. O novo presidente, Pedro Alliana, determinou medidas imediatas para atender os correntistas afetados pela crise bancária.

A prisão de Peña não equivale, por si só, a uma condenação: ela ocorre no âmbito de uma investigação criminal, e o ex-presidente terá direito à defesa e ao devido processo legal.

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