Jato usado por Flávio Bolsonaro vira alvo de investigação jornalística por vínculos empresariais com operador condenado nos EUA

Uma série de reportagens publicadas nesta quarta-feira (28) afirma que o jato usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina e seguir aos Estados Unidos pertence à empresa argentina de aviação executiva Baires Fly S.A., associada a um empresário que foi sócio de Federico Andrés “Fred” Machado, operador financeiro condenado nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro e fraude eletrônica.

A matéria original, da Revista Fórum, sustenta que a aeronave — um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW — integra a frota da Baires Fly, companhia ligada a Sergio Daniel Mastropietro, ex-sócio de Machado na empresa So Vain S.A. A repercussão da reportagem reacendeu o debate sobre a rota usada por Flávio Bolsonaro após sua derrota eleitoral e sobre os antecedentes da operadora do voo.

A viagem e a aeronave

Segundo registros de voo citados por veículos internacionais, o Gulfstream LV-JQW decolou de Puerto Iguazú, na fronteira argentino-brasileira, seguiu para Guayaquil, no Equador, e depois rumou aos Estados Unidos. O senador viajou com três familiares, segundo reportagens do G1 e de outros veículos.

O Valor Econômico confirmou que o traslado foi operado pela Baires Fly, utilizando o Gulfstream G400 LV-JQW. A empresa é uma operadora de fretamento aéreo na Argentina, e não há, até agora, evidência pública de que Flávio Bolsonaro tenha escolhido a aeronave por causa de seus vínculos societários.

Quem é Fred Machado

Federico “Fred” Machado é descrito nas reportagens como um operador financeiro argentino investigado nos Estados Unidos em casos ligados a tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro. O ponto central da nova apuração, porém, é mais restrito: Mastropietro foi sócio de Machado na So Vain S.A., e não há prova publicada de que Machado seja dono do jato ou tenha participado do contrato de fretamento.

O Painel Político resume a distinção: a ligação de Machado com a Baires Fly é indireta, por meio de Mastropietro, e “não há indício de participação de Machado no voo”. O Diário do Pará, ao reproduzir a apuração do Fórum Investiga, faz a mesma ressalva: o vínculo societário de Machado era com Mastropietro, “sem ligação direta com a companhia aérea.

O que não está comprovado

Não há documentos públicos apresentados mostrando que Machado seja proprietário do LV-JQW, que tenha fretado o voo ou que a aeronave tenha sido usada para transporte de drogas.

A acusação de narcotráfico contra Machado teria sido retirada no acordo com a Justiça dos EUA; ele foi condenado por conspiração para lavagem de dinheiro e fraude eletrônica.

Não há indicação, nas reportagens, de que Flávio Bolsonaro soubesse dos vínculos empresariais da operadora ou tivesse contato com Machado.

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