A tragédia da Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, deixou quatro crianças mortas e abriu uma segunda frente de investigação: a suspeita de que a contratação emergencial de segurança para escolas e creches tenha sido usada para favorecer uma empresa por meio de fraudes em licitação e pagamento de propina.
O ataque de 2023
Em 5 de abril de 2023, um homem invadiu a Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, após pular o muro do local. Ele atacou crianças que estavam no parquinho com uma machadinha.
Quatro crianças, com idades entre 5 e 7 anos, morreram no ataque. Outras cinco ficaram feridas. O crime teve repercussão nacional e colocou Blumenau no centro da atenção do país.
A tragédia provocou comoção entre famílias, servidores e a comunidade. Dias depois, famílias lotaram a Catedral São Paulo Apóstolo para uma missa em memória das vítimas.
A decisão de reforçar a segurança
Diante do choque e do medo dos pais, a Prefeitura de Blumenau, então comandada por Mário Hildebrandt, anunciou a colocação de vigilantes em escolas e creches municipais.
Cinco dias após o ataque, enquanto famílias participavam da missa pelas vítimas, a prefeitura teria enviado um e-mail solicitando orçamentos para o serviço de segurança, com prazo de apenas 24 horas para apresentação das propostas.
O que a investigação aponta
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as propostas apresentadas por empresas concorrentes — que deveriam permanecer sigilosas — teriam sido repassadas à empresa escolhida.
A investigação aponta que a empresa vencedora teria ajustado sua proposta para oferecer um desconto de aproximadamente 5% em relação às concorrentes, valor suficiente para vencer a disputa.
Operação Sentinela
O caso veio a público em maio deste ano, com a deflagração da Operação Sentinela, conduzida pelo Gaeco. Na primeira fase, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Florianópolis e Itajaí, mas ninguém foi preso naquele momento.
Nesta quarta-feira (7), o Gaeco deflagrou a segunda fase, a Sentinela II. A operação cumpriu dois mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão em Blumenau e Florianópolis.
Entre os presos está André Espezim, ex-secretário que atuou na Comunicação e no Samae durante a gestão do ex-prefeito Mário Hildebrandt. Também foi preso o empresário Leonardo de Souza, dono de uma produtora de audiovisual.
Quem está investigado
Mário Hildebrandt não é investigado nem é alvo das operações relacionadas ao caso. porém o preso era o braço direito do ex-prefeito. já o atual prefeito, Egidio Ferrari, não figura como investigado.
Após a primeira fase da operação, a Prefeitura de Blumenau abriu auditoria e rompeu o contrato com a empresa envolvida em junho.
Próximos passos
Segundo o MPSC, após a primeira fase, alguns investigados teriam tomado medidas para ocultar bens, disfarçar a origem de recursos e interferir em provas.
Até agora, ninguém foi denunciado. A investigação está na reta final e deve ser encaminhada à Justiça nas próximas etapas

