Irã diz ter sido forçado a deixar os EUA após estreia na Copa de 2026 e pede ajuda da Fifa

Capitão iraniano, Mehdi Taremi, revelou que equipe foi instruída a deixar o país logo depois de empatar com a Nova Zelândia em 2 a 2.

Fonte: G1 e Mariana Valbão, da CNN Brasil

A Seleção do Irã fez sua estreia na Copa do Mundo de 2026 na noite de segunda-feira (15) nos Estados Unidos e ficou no empate em 2 a 2 contra a Nova Zelândia. Ao fim da partida, em Los Angeles, a equipe iraniana teria recebido ordens para deixar o país imediatamente e retornar para Tijuana, no México, onde está concentrada durante o torneio .
Capitão denuncia ausência de apoio e apela à Fifa.

Mehdi Taremi, capitão do Irã, disse que minutos após o jogo os jogadores foram informados que deveriam voltar ao México na mesma noite. “Após a partida contra a Nova Zelândia, tivemos que deixar Los Angeles imediatamente, e isso não é bom para o futebol, porque na Copa do Mundo é preciso se preparar bem para o próximo jogo. Essa situação coloca muita pressão sobre os jogadores e a comissão técnica. Não recebemos o apoio necessário e a Fifa pode e deve ajudar mais”, afirmou Taremi, segundo o site oficial da Federação de Futebol do Irã .
Questionado sobre quem impôs que a equipe deixasse os EUA, Taremi disse que a ordem foi repassada pela Fifa. “Não sei quem nos disse que temos que voltar para o México hoje à noite, mas acho que isso é algo entre a Federação Mexicana de Futebol e the Fifa” .

Mesmo com a pressão de questões políticas, o capitão iraniano afirmou que a seleção está feliz pela participação no torneio. “Nos sentimos bem porque estamos na Copa do Mundo e sob os holofotes, e isso é algo que todo jogador deseja vivenciar. Gostamos de estar neste torneio e queremos aproveitá-lo ao máximo”.

Ao ser perguntado novamente sobre detalhes da imposição para a seleção voltar ao México logo após o jogo, Taremi concluiu: “Sou jogador e estou focado no futebol. Você deveria fazer essa pergunta ao presidente da federação ou ao nosso diretor de imprensa, que não estão aqui. Você deveria fazer essa pergunta à Fifa, não a nós” .

Técnico diz que equipe é “oprimida” e classifica cenário como “injustiça”

Amir Ghalenoei, técnico do Irã, afirmou que a equipe tem sido “oprimida” por tensões ao longo da Copa. Em conversa com os jogadores após o empate com a Nova Zelândia, Gianni Infantino, presidente da Fifa, fez um discurso de solidariedade e ouviu forte desabafo do treinador, que relatou as dificuldades na preparação para a competição.

O treinador classificou o cenário como uma “injustiça” e “falta de humanidade” do país anfitrião. “Essa é outra injustiça que fizeram conosco. Nós precisamos nos recuperar após o jogo, mas eles nos forçaram a entrar no avião e voltar, e isso atrapalhou a recuperação por alguns dias para o nosso próximo jogo. É por isso que nós somos talvez o time mais agredido da história da Copa do Mundo”.

Restrições por “guerra” com EUA afetam preparo do Irã

Por causa da guerra com os Estados Unidos, o Irã tem enfrentado uma série de restrições durante a Copa. A seleção está concentrada em Tijuana, no México, e recebeu autorização para entrar em território americano apenas na véspera dos jogos, sendo obrigada a deixar o país logo após as partidas. Depois da estreia, os jogadores precisaram retornar ao México. A viagem de volta, inclusive, teve problema: o capitão e o auxiliar-técnico da equipe foram retidos no aeroporto .
Gianni Infantino, em sua fala aos jogadores, agradeceu o esforço da seleção iraniana para participar da Copa do Mundo e demonstrou empatia pela situação enfrentada pelo grupo. Segundo ele, a equipe está fazendo história e transmitindo uma mensagem ao mundo.

Irã volta a campo contra Bélgica no próximo domingo

De olho em uma vaga no mata-mata, a Seleção Iraniana volta a campo no próximo domingo (21), às 16h (de Brasília), novamente em Los Angeles, para encarar a Bélgica. Favorito a terminar na liderança da chave, o time europeu só empatou com o Egito, em 1 a 1, na estreia.

A reclamação do Irã reforça tensões políticas no meio da Copa de 2026, realizada nos Estados Unidos, e levanta questionamentos sobre o tratamento dado a uma seleção que compete sob restrições excepcionais. O capitão Mehdi Taremi deixou clara a expectativa de que a Fifa intervenha para garantir condições adequadas de preparação e recuperação aos jogadores .

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