Por O Janelão
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) suspendeu a divulgação da pesquisa eleitoral do Instituto Veritá que trazia números para a corrida ao Governo do Estado e ao Senado. A decisão liminar, assinada pelo desembargador José Sérgio da Silva Cristóvam, atendeu a pedido do Partido Social Democrático (PSD) estadual e determina a remoção imediata dos resultados de qualquer meio, sob pena de multa diária de R$ 10 mil por descumprimento.
A pesquisa, registrada sob o número SC-02747/2026, foi amplamente compartilhada nas redes sociais no sábado, 6, e passou a ser questionada por inconsistências no método apresentado. O PSD apontou, no pedido à Justiça, que o detalhamento do levantamento incluía municípios do Maranhão entre as localidades consultadas — um erro que, segundo a certidão da Secretaria do TRE, acabou sendo corrigido posteriormente pelo próprio instituto, que substituiu a relação de cidades.
Além da ordem de retirada das publicações dos canais oficiais do Veritá, o despacho proíbe republicação, compartilhamento ou qualquer forma de divulgação dos resultados, sob as mesmas penas. A medida vale também para envio a veículos de imprensa, impulsionamentos e materiais patrocinados.
Desde a divulgação, a pesquisa gerou reação por apresentar números consideravelmente distintos de outros levantamentos. Em particular, chama atenção a ausência de percentual significativo para o Partido dos Trabalhadores (PT), que historicamente alcança entre 15% e 30% do eleitorado em diferentes pleitos em Santa Catarina.
Em levantamentos anteriores, esse teto sempre apareceu mesmo quando o partido não figura como força majoritária — fato que levou observadores a classificar como “eleitores fantasmas” a inexistência de votação no levantamento do Veritá.
O episódio soma-se ao histórico controverso do instituto junto ao nosso portal: O Janelão não divulga pesquisas do Veritá justamente por ter sido um dos institutos com levantamentos suspensos e com falhas marcantes em 2022. Em outros estados, também houve suspensão de pesquisas do mesmo instituto, o que aumentou o nível de desconfiança sobre sua metodologia e sobre a veracidade dos resultados.
Outro ponto citado por críticos foi a circulação recente de um levantamento do Veritá indicando desempenho atípico de candidatos em âmbito nacional, em desacordo com a maioria das pesquisas de outros institutos — situação que reforça a necessidade de verificar quem financia e produz esses levantamentos e qual a origem das bases de dados utilizadas.
Importante frisar que a suspensão da pesquisa não implica, por si só, que resultados de outros institutos estejam incorretos: o atual governador Jorginho Mello aparece bem nas sondagens recentes.
No entanto, os números estrondosos publicados pelo Veritá e a identificação de irregularidades levam analistas a apontar para a possibilidade mais realista de segundo turno em Santa Catarina, em desacordo com o cenário apresentado naquele levantamento.
O pedido de suspensão foi assinado por João Rodrigues (PSD), candidato que alegou ter sido prejudicado pelo levantamento. A Justiça eleitoral seguirá investigando a metodologia e as informações utilizadas pelo Instituto Veritá.
JORNALISMO O JANELÃO

