Florianópolis — A Ferrovia Estadual de Mato Grosso, considerada atualmente a maior obra ferroviária em execução no país, recebeu um novo aporte de R$ 467,3 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). O investimento, liberado ao longo de 2024 e 2025 pelo Banco do Brasil, vai permitir a implantação de 87,4 quilômetros de trilhos entre Rondonópolis e Santa Elvira e a construção de quatro pátios ferroviários, segundo nota oficial da concessionária Rumo S.A.
Com ritmo médio de instalação que chega a cerca de 1 quilômetro de trilhos por dia, as frentes de serviço trabalham simultaneamente em terraplenagem, drenagem, construção de pontes e viadutos e na colocação dos primeiros trechos de superestrutura (trilhos e dormentes). A inclusão do projeto na carteira do Novo PAC reforçou o suporte institucional e elevou a relevância da iniciativa dentro da estratégia federal de modernização logística.

Financiamento e cronograma
O financiamento à Rumo foi liberado em duas parcelas pelo Banco do Brasil: R$ 312,5 milhões em 2024 e R$ 154,8 milhões em novembro de 2025. Segundo a concessionária, os recursos asseguram a continuidade das obras e a execução dos 87,4 km previstos para esta etapa do empreendimento. Fontes próximas ao projeto informam que o avanço diário depende de fatores como condições climáticas, liberação de faixa de domínio e ritmo de fornecedores de dormentes e trilhos.
Impacto econômico e social
Os responsáveis pelo projeto estimam que a ferrovia terá forte impacto econômico regional. Entre as projeções mais citadas estão a geração de cerca de 235,6 mil empregos diretos e indiretos durante as fases de construção e operação e o aumento da renda nos municípios atendidos pela linha. Executivos e analistas do setor afirmam que a obra deverá atrair novos investimentos privados e fortalecer a cadeia produtiva do Centro-Oeste, em especial o agronegócio.

“A integração de Mato Grosso com os principais corredores de exportação do país vai reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade da nossa produção no exterior”, declarou a concessionária em comunicado.
Especialistas consultados destacam também ganhos ambientais relativos à migração de cargas da rodovia para a ferrovia, que geralmente implica menor emissão de gases por tonelada transportada.

Conexão com Porto de Santos e logística nacional
Uma das metas estratégicas do projeto é a ligação com o Porto de Santos, o principal corredor de exportação do Brasil. A conexão prevista com a Malha Norte deverá aumentar a eficiência do escoamento da produção agroindustrial do Centro-Oeste, encurtando prazos e reduzindo custos de transporte. O traçado principal ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e incluirá um ramal até Cuiabá, abrangendo 16 municípios mato-grossenses.
Desafios e próximos passos
Apesar do avanço, a obra enfrenta desafios operacionais e ambientais comuns a grandes empreendimentos de infraestrutura, como a necessidade de licenciamentos, condicionantes ambientais, desapropriações e gestão da cadeia de suprimentos. Analistas do setor alertam que atrasos em etapas críticas — por exemplo, entrega de viadutos ou falta de dormentes — podem reduzir o ritmo de 1 km por dia nas fases subsequentes.
A concessionária afirma que o cronograma será reavaliado periodicamente e que novas fases de financiamento poderão ser buscadas conforme a necessidade do projeto. A expectativa oficial é consolidar a malha ferroviária como alternativa competitiva e de maior capacidade para o escoamento do agronegócio brasileiro.
O que muda para a população
Além dos efeitos macroeconômicos, a ferrovia tende a trazer mudanças locais: aumento de empregos, maior movimentação econômica nos municípios pelos quais passará e possíveis melhorias em infraestrutura adjacente, como acessos rodoviários e pátios logísticos. Entretanto, movimentos sociais e produtores locais poderão solicitar compensações e garantias quanto à mitigação de impactos sobre comunidades e áreas produtivas.


