PF faz buscas contra Ciro Nogueira em nova fase da Operação Compliance Zero: suspeita de propina do Banco Master

“Vice dos sonhos” de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira é alvo da PF por suspeita de propina ligada ao Banco Master. O presidente nacional do PP e senador pelo Piauí enfrenta mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (7), autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF.

A investigação aponta recebimento de mesadas entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de outras vantagens em troca de influência no Congresso.

PF investiga Ciro Nogueira por suspeita de propina ligada ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro; caso reacende relação do senador com Bolsonaro e o PL. O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também é alvo. A operação, em sua quinta fase, cumpre nove mandados de busca no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, foi preso temporariamente por cinco dias.

Em decisão, Mendonça destacou: “Em juízo de cognição sumária, os elementos descritos na representação são suficientes para indicar, em tese, o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade, entre o Senador Ciro e Daniel Vorcaro”

A PF bloqueou R$ 18,85 milhões em bens e determinou a suspensão indefinida de quatro empresas ligadas ao esquema: CNLF Empreendimentos Imobiliários (da família Nogueira), BRGD S.A, Green Investimentos e Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.

A “Emenda Master”, redigida pela assessoria de Vorcaro. Apelidada assim, a proposta visava elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em casos de falência bancária. A emenda, que beneficiaria o Master e sextuplicaria seus lucros, foi escrita pela equipe do banco e entregue a Ciro em envelope na residência dele. Investigações revelam minutas de outros projetos de lei. Hoje, o Congresso debate proibir o uso do FGC em propagandas bancárias, após alertas de “hecatombe” no mercado financeiro.


O caso ganha contornos políticos: Ciro, ex-ministro de Bolsonaro e cotado como “vice dos sonhos” por Flávio Bolsonaro, reacende debates sobre laços com o PL e o centrão. A PF avança nas apurações, que podem impactar o tabuleiro eleitoral.

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