Bogotá, Colômbia – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o palanque da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, realizada neste sábado (24) em Bogotá, para defender a soberania sobre as terras raras e minerais críticos.
Em um discurso inflamado, Lula acusou países ricos de tentarem “colonizar outra vez” nações em desenvolvimento, transformando-as em meros exportadores de matérias-primas.
“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país”, declarou o presidente, citando explicitamente Bolívia, Venezuela e Cuba como exemplos de nações historicamente saqueadas.
Lula rebateu a ideia de que terras raras – um grupo de 17 elementos químicos essenciais para ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas, semicondutores, catalisadores, equipamentos eletrônicos e tecnologias militares – devam ser exploradas apenas para benefício externo.
“Todo mundo aqui tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro, prata, diamante e minério. Depois de levarem tudo, agora querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras”, disparou, referindo-se ao representante de Moçambique e ao chanceler boliviano Chetel.
O presidente defendeu a instalação de indústrias no continente para agregar valor local.
“É a chance da Bolívia, da África e da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais. Quem quiser que venha se instalar e produzir no país, para que a gente tenha a chance de desenvolver os nossos países”, enfatizou.
Ele alertou: “Nós já fomos colonizados, fizemos luta pela independência, conquistamos e perdemos democracia. Agora estão querendo nos colonizar outra vez, justamente agora que descobrimos terras raras e minerais críticos, com chance de dar um salto na produção de combustíveis alternativos”.
Embora as terras raras não sejam escassas na natureza, sua extração e processamento são caros, complexos e ambientalmente sensíveis, o que aumenta o interesse geopolítico global. O Brasil, rico em reservas como as de Araxá (MG), surge como peça-chave nessa disputa, alinhando-se à agenda de industrialização soberana promovida por Lula.
A cúpula reforça laços entre América Latina e África, regiões historicamente exploradas, em meio a tensões comerciais com potências como China e Estados Unidos, líderes na cadeia de suprimentos de minerais estratégicos.

