Patente da semaglutida vence nessa sexta-feira e Camboriú logo entrará no mapa da produção de “Ozempic brasileiro”

A patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, expira oficialmente nesta sexta‑feira (20) no Brasil, abrindo caminho para a chegada de versões genéricas e similares ao mercado nacional.

Com isso, laboratórios brasileiros poderão desenvolver e produzir medicamentos à base de semaglutida, o que tende a aumentar a concorrência e, a médio prazo, reduzir os preços praticados nas farmácias.

Fábrica em Camboriú e impulso à economia local

Na região de Balneário Camboriú, a mudança regulatória ganha um desdobramento econômico: a cidade vizinha Camboriú, se prepara para receber uma fábrica ligada à produção de medicamentos com semaglutida, que teria ligação com a rede de farmácias São João, do Rio Grande do Sul.

Segundo o prefeito Leonel Pavan, ele atuou com sua administração municipal  diretamente na articulação para trazer essa iniciativa para Camboriú, com o objetivo de gerar empregos qualificados, ampliar a base tributária e fortalecer a indústria farmacêutica na região.

A expectativa é que o empreendimento se torne um novo polo de inovação e produção de medicamentos de alto valor agregado na costa catarinense.

Como a queda de patente muda o mercado

Com a expiração da patente, a exclusividade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk sobre a semaglutida chega ao fim, permitindo que outras empresas entrem na disputa pelo mercado de canetas emagrecedoras e remédios para diabetes tipo 2.

Ainda assim, a redução de preços não é imediata: cada novo medicamento precisa passar pela aprovação da Anvisa, além das etapas de registro, produção em escala e distribuição, o que pode levar meses ou até anos para se consolidar nas prateleiras.

Especialistas estimam que, até o fim de 2026, devem começar a surgir versões similares e genéricas, aos poucos pressionando o custo dos tratamentos hoje muito caros para boa parte da população.

Impacto em saúde e no SUS

Hoje, Ozempic e outros medicamentos à base de semaglutida são usados tanto no controle do diabetes tipo 2 quanto como auxiliares no tratamento da obesidade, atendendo a milhares de brasileiros, mas com alto custo que limita o acesso, especialmente fora da rede privada.

Com a entrada de genéricos e similares, a tendência é de valores mais baixos, o que pode ampliar o alcance desses tratamentos para pessoas de renda média e baixa.

Essa mudança também reacende o debate no país sobre a inclusão desses medicamentos no SUS, uma vez que o Ministério da Saúde costuma avaliar a incorporação de novas terapias com base na queda de preço e na relação custo‑benefício para o sistema público.

O cenário nacional e o papel de Camboriú

Enquanto grandes laboratórios brasileiros já se preparam para produzir semaglutida e outros agonistas do GLP‑1 em plantas industriais em estados como São Paulo, a instalação de uma fábrica em Camboriú reforça o papel de Santa Catarina como hub de inovação e logística farmacêutica.

A proximidade com a rede São João, que já comercializa medicamentos à base de semaglutida, pode facilitar a verticalização da cadeia de abastecimento e fortalecer a região como centro de distribuição e produção de medicamentos de última geração.

Para Camboriú, a chegada dessa indústria simboliza uma transição da cidade para um modelo econômico mais diversificado, com foco em saúde, inovação e serviços de alto valor agregado.

Jornalismo O Janelão

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.