Santos, SP – Uma nova paralisação de caminhoneiros foi decidida em reunião realizada nesta segunda-feira (16) na Baixada Santista, conforme anunciou o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores).
O movimento ganha força em meio à escalada dos preços do diesel, com aumentos de até 22% desde 28 de fevereiro, impulsionados principalmente pela guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que fechou o Estreito de Ormuz, e pela alta internacional do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio, agravada pela desvalorização cambial e políticas internas de preços da Petrobras.Wallace Landim, o Chorão, líder do movimento e amigo do portal O Janelão, alertou:
“A greve é reflexo das altas agressivas do óleo diesel. Hoje, a maioria das lideranças decidiu pela paralisação, mas vamos seguir trâmites legais. Em cada dois quilômetros, um preço diferente – vi diesel a R$ 6,29 descendo para Santos. O governo precisa fiscalizar distribuidoras e revendedoras”. O diesel S-10 subiu 18,86% no período, enquanto o comum avançou mais de 22%, segundo painéis online.
DE QUEM É CULPA?
A culpa principal recai sobre privatizações do governo Bolsonaro. Um dos legados mais criticados é a privatização da BR Distribuidora (hoje Vibra Energia) e de subsidiárias como a Liquigás, vendidas em 2019 e 2021 pelo governo Jair Bolsonaro.
A gestão focou em reduzir a atuação estatal, vendendo refinarias e distribuidoras para concentrar a Petrobras apenas na exploração em águas profundas. Defensores prometiam eficiência, mas críticos apontam que isso tirou do governo federal o controle sobre preços finais: reduções na refinaria nem sempre chegam ao consumidor, sujeitando o mercado à lógica privada das distribuidoras.
“Compramos refinado de fora, mais caro, e vendemos mais barato? Aquela falácia da autossuficiência”, ironiza um analista.
Jorge Belegante, caminhoneiro apoiador do movimento, reforça:
“Entendo que o governo federal precisa fazer sua parte, fiscalizar, mas o estado também. Nosso governador Jorginho Mello tem obrigação de nos ajudar nesse momento”. Pressão sobre governadores:

Santa Catarina na berlinda
Os caminhoneiros que nós conversamos hoje, pressionam e dizem que o governador precisa reduzir o ICMS sobre o diesel.
“O governo federal, sob Lula, já zerou PIS/Cofins (economia de R$ 0,32/litro) e criou subsídios de R$ 0,70 para mitigar impactos.”
Agora, a bola está com os estados
Em Santa Catarina, Governador Jorginho Mello é cobrado para baixar o ICMS – ou ficará de braços cruzados enquanto o setor para. Sem isso, o custo final explode, com relatos de diesel acima de R$ 15/litro em regiões agrícolas.
Alê Delara, sócio-diretor da Pine Agronegócio, avisa:
“Os aumentos abusivos são um absurdo. O agronegócio já sofre com falta de combustível em áreas chave – uma paralisação é iminente”.
A paralisação segue em alinhamento legal, mas o setor cobra ação urgente para evitar colapso logístico.
Jornalismo O Janelão

