Êxodo de trabalhadores de Misiones para o Sul do Brasil atinge níveis recorde em 2026

Um fluxo diário de 400 a 500 trabalhadores da província argentina de Misiones cruza a fronteira para o Rio Grande do Sul, impulsionado pela crise econômica e pelo colapso no setor de erva-mate após medidas do governo de Javier Milei.

Esses migrantes, majoritariamente homens jovens entre 20 e 24 anos, buscam empregos temporários na colheita de uva, maçã e alho em regiões como Caxias do Sul e Bento Gonçalves, onde salários chegam a R$ 180 por dia, três vezes maiores que na Argentina.

Causas da Crise em Misiones

A desregulamentação do preço mínimo da erva-mate por Milei derrubou os valores pagos aos produtores de 420 pesos (R$ 1,57) por quilo para 180 pesos (R$ 0,67), tornando o trabalho rural inviável e forçando o êxodo.

A inflação argentina, oficial de 31,5% em 2025, combinada à desvalorização do peso e retração industrial — com perda de cerca de 65 mil empregos na indústria até novembro de 2025 —, agrava a falta de oportunidades locais.

Destinos e Condições no BrasilNa Serra Gaúcha, argentinos são valorizados pela experiência agrícola e contratados via CLT temporária em vinícolas, com moradia e alimentação inclusos, evitando casos de trabalho análogo à escravidão detectados em anos anteriores.

A colheita de uva 2026, aberta em janeiro em Bento Gonçalves, depende dessa mão de obra para suprir escassez local, com produção esperada superior a 957 mil toneladas do ano anterior.

Dados de Migração e Regularização

O número de CPFs emitidos a argentinos no Brasil explodiu de 8 mil anuais (2016-2021) para quase 40 mil em 2025, refletindo o aumento do fluxo migratório via Mercosul.

Cidades fronteiriças como Alba Posse veem filas diárias em jangadas pelo rio Uruguai, com impactos sociais como fragmentação familiar.

Impactos Econômicos MaioresPolíticas de Milei provocaram fechamento de milhares de empresas argentinas, com retração industrial de 7,9% entre 2024-2025, enquanto o setor madeireiro de Misiones demitiu 50% da mão de obra.

No Brasil, o fenômeno supre demanda sazonal, mas sindicatos alertam para desafios como adaptação ao calor e formalização.

Jornalismo O Janelão

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