Procon intensifica fiscalização e cobra distribuidoras.
Florianópolis, 6 de março de 2026 – Parece piada, mas não é: donos de postos em Santa Catarina culpam Donald Trump e a guerra no Irã pelos preços da gasolina que beiram R$ 7 em alguns estabelecimentos. Enquanto isso, o Procon/SC dá prazo até esta sexta-feira (6) para que os postos enviem notas fiscais de compra e venda, e anuncia fiscalização permanente para apurar a formação dos preços.
A medida surge após reunião na quinta-feira (5) com sindicatos de postos, que justificaram os valores altos por impactos internacionais, como tensões no Oriente Médio afetando o petróleo.
“A gasolina mais cara em SC é culpa da guerra no Irã”, afirmaram representantes do setor à produção do SCC SBT 10.
Em comparação, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), o litro da gasolina comum custa cerca de R$ 1 mais barato – R$ 5,67 na semana passada, contra quase R$ 7 em SC.
O que dizem os postos e o sindicato
Os empresários alegam que reajustes dependem das distribuidoras, que não repassaram uma queda de cerca de 5% anunciada pela Petrobras.
“Sem isso, os postos não conseguem baixar os preços para o consumidor”, explicou Vicente Santanna, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Florianópolis e Região (Sindópolis).
Ele destacou custos internos que subiram no início do ano: reajustes de aluguéis, insumos e, principalmente, o etanol, que representa 30% da gasolina e encareceu com a entressafra da cana-de-açúcar em março. Os sindicatos preveem novos aumentos se o cenário global piorar.Resposta do Procon: equipe dedicada e nova reuniãoA delegada Michele Alves, diretora do Procon/SC, criou uma equipe específica para monitorar preços de combustíveis em todo o estado.
“Vamos continuar atuando e fiscalizando. Entendemos o lado dos postos, mas o consumidor precisa ficar atento”, disse ela.
O Procon vai convocar distribuidoras, sindicatos e refinarias para uma reunião em abril, visando barrar reajustes e esclarecer onde está a “gordura” nos preços.
A apuração é da produtora Caroline Oliveira, do SCC SBT 10.
O outro lado: privatizações e mercado livre
Críticos apontam raízes estruturais no problema.
Na gestão Bolsonaro, a venda da BR Distribuidora teria contribuído para desvios de repasses: em um caso, a Petrobras reduziu 16,4% no preço da gasolina, mas nos postos ele subiu 27%.
“O povo paga a diferença” argumentam.
Desde 2002, a lei torna os preços livres no Brasil – sem teto, mínimo ou autorização da ANP.
Refinarias (Petrobras e privadas), usinas, distribuidoras e postos definem valores pelo mercado, o que explica discrepâncias regionais como a entre SC e MG.
A fiscalização do Procon pode trazer transparência, mas analistas cobram ações federais para equilibrar a cadeia.
Consumidores catarinenses aguardam alívio no bolso.
Fonte: SCC SBT 10, com dados do Procon/SC e sindicatos.

