O preço da cebola em Santa Catarina atravessa um dos momentos mais críticos dos últimos anos. Sete municípios decretaram situação de emergência devido à drástica queda de quase 50% no valor pago ao produtor, impactando diretamente a rentabilidade das propriedades, especialmente as de base familiar.
Os municípios afetados incluem Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia, Alfredo Wagner, Leoberto Leal e Lebon Régis. A análise técnica indica que o custo médio de produção da cebola é de R$ 1,33 por quilo, enquanto os agricultores estão recebendo cerca de R$ 1,20, e agora o preço caiu para 50% do custo, gerando uma crise financeira nas famílias produtoras.
A analista da Epagri/Cepa, Lillian Bastian, aponta que a situação deve começar a se reverter em março, quando a oferta de cebola de estados como Paraná e Rio Grande do Sul tende a diminuir. Em SC, apenas 40% da produção foi vendida, apesar de o estado ser responsável por 40% da produção nacional.
O que explica essa situação?
A safra 2025-2026 teve uma produtividade 9,13% maior, totalizando quase 602 mil toneladas, beneficiada por condições climáticas favoráveis. A variedade Vale Sul, desenvolvida pela Epagri, permite armazenamento por até seis meses, o que deve ajudar a estabilizar a oferta e melhorar os preços.
Com a crise em andamento, a situação levou municípios como Ituporanga, a “capital da cebola“, a decretar emergência econômica, uma medida que possibilita ações para apoiar os agricultores afetados. Segundo o último Censo Agropecuário, cerca de 24 mil pessoas dependem diretamente da produção de cebola em SC.

A baixa nos preços é atribuída a uma supersafra e ao excesso de oferta no mercado brasileiro, resultando em:
– Produção recorde: Clima favorável e ganhos de produtividade contribuíram para uma colheita abundante.
– Acúmulo de oferta: A safra do Cerrado (MG e GO) coincidiu com o pico da colheita em SC, saturando o mercado.
– Dificuldade de armazenamento: Muitos produtores não têm infraestrutura para estocar, forçando vendas rápidas e derrubando preços.
– Queda nas exportações: Menor demanda de países vizinhos, como a Argentina, aumentou a cebola disponível internamente.

O cenário atual é preocupante, mas as expectativas são de que os preços comecem a subir em março, trazendo alívio aos agricultores.

