O Brasil, maior exportador mundial de óleo e farelo de soja, pode se beneficiar de uma paralisação total das exportações argentinas de grãos e derivados nesta quarta-feira (18). A interrupção foi causada por uma greve de sindicatos marítimos contra uma reforma trabalhista do governo argentino, segundo o presidente da Câmara de Exportadores e Processadores de Grãos (CIARA-CEC).
A mobilização na Argentina começou hoje e se estende até a meia-noite de quinta-feira (19), coincidindo parcialmente com uma paralisação geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país. A CGT promete parar as atividades em todo o território argentino na quinta, ampliando o impacto.No epicentro da disputa está o projeto de reforma trabalhista, aprovado no Senado na semana passada e agora em debate na Câmara dos Deputados nesta quinta (19).
A proposta flexibiliza contratações, reduz indenizações por demissão, limita o direito à greve e permite jornadas mais longas – mudanças que geram forte rejeição dos sindicatos.
A Argentina é um gigante na exportação de soja em grão, mas o Brasil domina o mercado de derivados processados: em 2025, o país embarcou cerca de 70% do óleo de soja e 60% do farelo global, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
Com os portos argentinos parados, traders preveem um impulso extra para os embarques brasileiros, especialmente de Mato Grosso e Paraná, principais polos produtores.
“A paralisação argentina reforça a posição estratégica do Brasil no agronegócio global”, avalia um analista do mercado de commodities.
Enquanto isso, produtores sul-brasileiros, como os de Santa Catarina, acompanham de perto: a soja é pilar da economia local, com exportações recordes no último ano.
O governo argentino enfrenta pressão para aprovar a reforma em meio a uma economia fragilizada.
Leia mais detalhes no InfoMoney.

Foto: Martin Cossarini/Reuters

