Milhares param atividades econômicas contra detações e morte de cidadã americana; organizadores alertam para risco de guerra civil.
Minneapolis, Minnesota – Centenas de empresas em todo o estado de Minnesota fecharam as portas nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, em uma greve geral contra as políticas anti-imigração do governo Donald Trump. Sob temperaturas gélidas, vendedores, sindicatos e moradores aderiram ao “Dia da Verdade e da Liberdade”, promovendo um apagão econômico com suspensão de compras, jantares fora e atividades cotidianas. O movimento reage à intensificação das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que incluem a morte de uma cidadã americana e a detenção de uma criança de cinco anos.
O estopim foi o assassinato de Renee Good, enfermeira de UTI e cidadã norte-americana desarmada, morta a tiros por um agente do ICE em Minneapolis no dia 7 de janeiro. O agente Jonathan Ross, que disparou, não foi suspenso nem indiciado.
Na terça-feira passada, agentes detiveram um menino de cinco anos, identificado como Liam, junto com seu pai durante uma operação contra imigrantes indocumentados.
A Casa Branca também suspendeu o processamento de vistos para cidadãos de 75 países, ampliando o clima de tensão.
Escalada de tensões e repressão

Autoridades locais e manifestantes entraram com ações judiciais para restringir a presença federal, alegando falta de cooperação e violações de direitos. Milhares de agentes do ICE foram enviados a Minneapolis, cidade sob administração democrata, enquanto o vice-presidente JD Vance visitou o estado na quinta-feira.
Ele defendeu as detações, argumentando que os agentes protegiam a criança de um pai “fugitivo”:
“O que é suposto eles fazerem? Deixar uma criança de cinco anos morrer de frio?”.

Protestos tomaram as ruas geladas, com cartazes como “Cinco anos, meu” – referência a Liam – e gritos de “Se não lutarmos, o fascismo ganha”, de um manifestante anônimo. No aeroporto de Minneapolis-St. Paul, uma manifestação contra o uso das instalações para deportações resultou na detenção de 100 membros do clero.
Risco de guerra civil interna
Organizadores alertam que as ações do ICE, comparadas por alguns à “Gestapo de Trump”, podem abrir as portas para uma guerra civil. “Os norte-americanos estão sequestrados pelo próprio governo”, disse um líder sindical.
Sindicatos e empresas locais aderiram em massa, paralisando restaurantes, atrações e comércios.
Apesar do frio extremo, milhares marcharam, exigindo a expulsão de agentes federais e o fim da repressão.
A Casa Branca justifica as medidas como necessárias para combater fraudes no sistema de assistência social. Enquanto isso, o estado vive um clima de medo e resistência, com apelos por “ordem” federal colidindo com a fúria popular.

