Obras na rede, modernização da ETE e ações contra ligações irregulares acompanham a queda do índice de pontos impróprios para banho

Boa parte do trabalho para melhorar a qualidade da água da Praia Central acontece longe da faixa de areia. Debaixo das ruas, dentro das tubulações e na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Nova Esperança, uma série de intervenções intensificadas desde 2025 pela Prefeitura de Balneário Camboriú e pela Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) busca enfrentar problemas históricos do sistema de esgotamento sanitário.
Os resultados mais recentes de balneabilidade mostram uma mudança importante nesse período. Dados do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) apontam que o percentual de análises com água imprópria para banho na Praia Central caiu de 50,9% em 2022/2023 para 7,3% em 2025/2026. No mesmo intervalo, as análises classificadas como excelentes passaram de 22% para 75%.
Uma das frentes adotadas para melhorar o sistema é o Praia 100% Limpa. O projeto começou a sair do papel em 2025 com intervenções para corrigir interferências entre as redes de esgoto e drenagem pluvial. Na Rua 3700 e na Avenida Brasil, uma nova rede auxiliar de esgoto foi implantada para separar corretamente os sistemas e reduzir o risco de efluentes chegarem aos canais e ao mar.
Na Região Norte, o trabalho ganhou o apoio da tecnologia. Depois da limpeza com hidrojato, câmeras percorrem o interior das tubulações para localizar fissuras, infiltrações, obstruções e outros problemas. Testes complementares também ajudam a identificar ligações inadequadas e situações que podem sobrecarregar a rede. O diagnóstico permite direcionar as correções e também contribui para o trabalho de recuperação do Canal do Marambaia.
Outra parte importante acontece na ETE Nova Esperança. A estação passa por um processo de recuperação e modernização, que inclui o terceiro decantador e a implantação da nova Estação de Esgoto Preliminar. Somente esta última já ultrapassa R$ 40 milhões em investimentos e contará com equipamentos de última geração para aumentar a eficiência do tratamento.
“A balneabilidade é resultado de todo um sistema funcionando melhor. Por isso, estamos atuando desde a rede que passa pelas ruas até o tratamento do esgoto na ETE, identificando problemas, recuperando estruturas e fazendo investimentos que eram necessários. É um trabalho contínuo e que precisa avançar cada vez mais”, destacou o diretor-presidente da Emasa, Auri Pavoni.

A evolução aparece de forma progressiva nos levantamentos: as análises impróprias representavam 50,9% em 2022/2023, 34,3% em 2023/2024, 14,9% em 2024/2025 e 7,3% em 2025/2026. As obras e intervenções continuam. A estratégia é atuar em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário para reduzir extravasamentos e impedir que efluentes cheguem à drenagem e aos canais, mantendo a trajetória de melhora registrada na qualidade da água da Praia Central.

