Família do ex-prefeito de Penha espera por justiça há 28 anos

Pai do ex-prefeito de Penha, Aquiles da Costa, foi morto a tiros em 3 de maio de 1998, no Mato Grosso. Acusado pelo crime será julgado pelo Tribunal do Júri em setembro.

Quase três décadas depois da morte de José Lídio da Costa, conhecido como Zé Lídio, familiares e amigos ainda aguardam por justiça. O ex-vereador de Armação do Itapocorói, em Penha, foi assassinado a tiros em 3 de maio de 1998, no município de Nova Lacerda, no Mato Grosso.

O caso finalmente poderá ter um desfecho. O homem acusado de matar Zé Lídio será submetido a júri popular no dia 1º de setembro, na comarca de Comodoro (MT).

Zé Lídio era pai do ex-prefeito de Penha Aquiles da Costa. No final dos anos 1990, deixou Santa Catarina em busca de novas oportunidades e passou a viver em Pontes e Lacerda, no Mato Grosso.

Na época do crime, Aquiles ainda era criança e estava com o pai, a mãe e a irmã. Segundo o relato da família, Zé Lídio foi vítima de uma emboscada e atingido por três tiros. Ele chegou a ser levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

DESAVENÇA TERIA MOTIVADO O CRIME

Conforme as informações apresentadas pela família, o assassinato teria ocorrido em meio a uma desavença relacionada à extração e comercialização de palmitos. Zé Lídio e o acusado seriam comerciantes concorrentes no ramo.

Para os familiares, um dos principais motivos para a demora de quase 30 anos até a realização do julgamento teria sido a dificuldade encontrada pela Justiça para localizar o acusado.

Segundo Aquiles, o homem teria mudado diversas vezes de cidade, dificultando o cumprimento das notificações e demais procedimentos necessários para o andamento do processo.

Agora, a família se prepara para acompanhar o julgamento. Aquiles e sua irmã, que atualmente mora na Nova Zelândia, deverão ser ouvidos como testemunhas. A acusação será acompanhada pela advogada Samantha Andrade, de Balneário Piçarras, em conjunto com o Ministério Público do Mato Grosso.

FAMÍLIA CRIA CAMPANHA PELA MEMÓRIA DE ZÉ LÍDIO

Enquanto aguarda o julgamento, a família decidiu também resgatar a história de Zé Lídio por meio das redes sociais.

Em junho deste ano, foi criada no Instagram a página “Justiça por Zé Lídio”, reunindo fotografias, lembranças e depoimentos de familiares e amigos que conviveram com o ex-vereador.

A iniciativa busca mostrar aos jurados não apenas os fatos registrados no processo, mas também quem era Zé Lídio, sua trajetória e a importância que teve para familiares, amigos e para a comunidade de Armação.

Mais de 40 depoimentos foram reunidos na página. Entre as pessoas que compartilharam lembranças está o jornalista Vilmar Carneiro, que recordou a convivência com Zé Lídio, inclusive em competições esportivas.

Além da atuação política, Zé Lídio também tinha forte ligação com o esporte. Amigos lembram da participação dele na reativação do Beira Mar Esporte Clube, na década de 1980. Na época, o clube estava desativado, mesmo após ter conquistado o título da Liga Itajaiense de Desportos (LID).

28 ANOS DE ESPERA

Para Aquiles, a espera pelo julgamento ultrapassa os limites de um processo judicial. Trata-se também da preservação da memória do pai e da busca por uma resposta para uma família que convive há quase 30 anos com a ausência.

A expectativa é que trechos dos depoimentos reunidos pela campanha sejam apresentados durante o julgamento.

“Mais do que um número de processo ou o nome da vítima, estamos falando de uma pessoa muito boa, que ajudou muita gente, que amava o próximo e sempre contribuiu com quem passou pelo caminho dele”, destacou Aquiles.

O julgamento marcado para 1º de setembro, em Comodoro (MT) representa, para a família, a possibilidade de colocar um ponto final em uma espera iniciada em 1998.

Após 28 anos, familiares e amigos de Zé Lídio esperam que o Tribunal do Júri possa finalmente definir a responsabilidade pelo assassinato e trazer uma resposta para uma história que permanece marcada pela dor e pela saudade.

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